24.9.07

Como eu posso medir o impacto que 'A Via Láctea' teve em minha cabeça quando tinha 11 anos e o vi pela primeira vez na TV? Até ali eu achava que cinema era só roteiro, que tudo tinha que fazer sentido... esse filme explodiu essa noção pré concebida que eu tinha. Um pouco depois vi 'A Bela da Tarde' e vi um dos mais espetaculares lances de roteiro que pude imaginar, a cena da 'caixa chinesa', sem paralelo com nada que eu vi depois (quem viu o filme sabe do que estou falando). Um gênio.


(acima: o meu livro, com o DVD da Mario Bava Collection ao lado para comparar o tamanho)

Eis um livro que eu não conseguirei ser nem um pouco neutro... o Heráclito já contou no blog dele a história, eu 'acompanhei' pelo Fábio primeiro os telefonemas que ele mais o Daniel e o Rodrigo começaram a trocar com o Antônio, que depois viraram visitas e culminou neles sendo convidados para os almoços de sábado na casa de nossa lenda do spaghetti western... devo ter sido um dos primeiros a perceber que o que começou como uma entrevista ia acabar virando um livro, pois era informação demais para um só artigo (na primeira vez que eu falei isso o Fábio riu)... me enche de alegria saber que todo esse esforço finalmente foi publicado, ainda mais no Brasil, que é avesso a esse tipo de literatura. No mais, é torcer pelo sucesso dessa empreitada deles, e que essa seja a primeira de várias pesquisas desse tipo. Bravo, meninos!!!
20.9.07
Do (ótimo) blog Arbogast on Film (http://arbogastonfilm.blogspot.com/), do meio de uma resenha sobre 'Disturbia':
"(...)Sarah Roehmer é um equivalente a Grace Kelly com cara de cavalo(...)"
Seguuuuura Peão!!!!!
Ha ha ha ha ha ha ha...
17.9.07
Será sempre uma tendência deste blog comentar falecimentos de ídolos e pessoas admiradas. Por isso, sempre é bom comemorar aniversários e celebrar os vivos também. Por isso me alegrei quando li no blog de Tim Lucas (http://www.videowatchdog.blogspot.com) que Ib Melchior está fazendo 90 anos. Quem? O roteirista e contista responsável pelo roteiro um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos (O Planeta dos Vampiros), filme que fica cada vez mais moderno à medida que o tempo passa, com seu tom cínico e violento, sendo uma das duas maiores influências sobre 'Alien' (a outra sendo 'It - Terror from Beyound Space', de 1958).
e também por um dos piores (e também, ao mesmo tempo, um dos mais divertidos), 'Reptilicus', um filme tão 'bom' que acabou rendendo uma CPI no congresso da Dinamarca (para explicar porque o exército fez, sem cobrar nada, manobras para serem rodadas e utilizadas na produção pelo cineasta e picareta Sidney Pink).
Aos interessados, a homepage pessoal dele fica aqui - http://ibmelchior.com/main.html.
(ainda preciso descobrir como se arma um link direto...)


O cara devia ser uma figura: nascido na Grécia, criado em Dublin, se mudou primeiro para os Estados Unidos, aonde escreveu livros GENIAIS sobre a Nova Orleans dos creoles. Depois se mudou para o Japão, como correspondente de um jornal, gostou tanto que se fixou lá, se naturalizou (adotando o nome de Koizumi Yakumo) e escreveu este brilhante livro sobre o folclore sobrenatural da ilha. Um pouco mais de sessenta anos após sua morte esta obra foi adaptada de forma magistral para as telas por Masaki Kobayashi, como 'Kwaidan', disponível em DVD no Brasil pelo selo favorito do Capitão Gancho, a Continental. Não há motivo nenhum para quem se disser fã de horror não ver este filme genial, um dos melhores já feitos no gênero, duas horas e quarenta de atmosfera pura. Alugue, compre, copie , mas VEJA.


13.9.07

O Godzilla original, dirigido por Ishiro Honda, é nada mais nada menos que uma obra-prima. Me lembro quando exibi-o no Raros, há uns dois anos atrás... boa parte do pessoas esperando um trashão e depararam-se com um filme belíssimo, forte, uma metáfora sobre a explosão da bomba atômica ... em muitos momentos, quando se mostra o que sobrou da cidade após a passagem de Godzilla, e em especial quando aparecem umas crianças contaminadas com energia atômica... a tocante trilha de Akira Ifikube também surpreendeu os presentes, por sua beleza e efetividade. Gojira está em minah lista de grandes filmes de horror. A versão americanizada, por mais que amenize muitas destas qualidades, é séria e circunspecta (algo que não ocorreria nas produções posteriores), com Raymond Burr fazendo o papel de correspondente americano em Tóquio durante a passagem de Godzilla.
Hi Kururéba
Sasoëchi mono wo -
Akanuma no
Makomo no Kuré no
Hitori - zé zo uki
Traduzido por mim do inglês...
Convidei-o para retornar comigo
Agora dormirei só na sombra do Akanuma
Que miséria indescritível...
5.9.07

Bava pai vinha da decepção de ter seu 'Lisa e o Diabo' no limbo, sem encontrar distribuição em nenhum lugar do mundo (tal obra só seria lançada mundialmente em 1976, em uma versão bastardizada chamada 'Casa de Exorcismo'). Precisava se modernizar, mostrar que sabia se virar sem castelos e monstros, que estavam ficando fora de moda naquele 1974. Por isso topou rodar algo totalmente diferente do que já havia feito: um roteiro passado em tempo real, sem estilizações nem elementos sobrenaturais. Por sinal ia rodar em 16mm, tudo com o sol estourando, que ia dar ao filme um tom 'realista' como nunca havia sido visto na obra dele, que sempre tangenciou o cinema fantástico.

A primeira de muitas catástrofes aconteceu quando um dos atores (o que representava o motorista sequestrado) adoeceu depois de uma semana de filmagem, e o trabalho, que ia durar apertadas quatro semanas, foi reduzido a três. O ator substituto, Riccardo Cucciola (mais conhecido por 'Sacco e Vanzetti'), faz o papel de maneira exemplar, chega a ser difícil imaginar outra pessoa no lugar dele. Desta vez se driblou o destino, mas depois ele se mostraria imponderável...
Com as filmagens principais completadas, uma 'working print' de Mario Bava pronta, a trilha composta e a necessidade de se filmarem mais alguns takes, o produtor morre num acidente de carro, o que ocasionou uma briga de sua esposa com os sócios da produtora e resultou na falência da mesma. Com isso, as latas de filme são sequestradas por um complexo processo de inventório judicial e ficam em um depósito, numa confusão dos diabos. Isso ocorreu no final de 1974. Mario Bava morreu em 1980, dando por perdidas duas de suas obras-primas, 'Lisa e o Diabo' (que só foi lançada em sua versão original em meados dos anos 80, quando lançar 'Casa de Exorcismo' para a TV se mostrou inviável e o produtor acabou lançando a versão original) e 'Rabid Dogs'.

Em meados dos anos 90 a atriz Lea Lander, que fazia o papel de refém, conseguiu adquirir os direitos sobre o filme. Para montá-lo e lançá-lo contatou Lamberto Bava, filho do homem e co-diretor, mais os jornalistas Peter Blumenstock e Tim Lucas, que se encarregaram de providenciar um lançamento através da gravadora do primeiro. Essa versão era basicamente o 'workprint' de Bava pai, acrescido de um brilhante take inicial (feito por Blumenstock), de uma mulher chorando. Foi feito o lançamento inicial, foi exibido em festivais e sessões especiais (como a do Comodoro, em São Paulo) e ficou mais ou menos por isso mesmo. Os poucos que viram essa versão ficaram encantados, os estudiosos de Bava puderam ver a obra que ficou um quarto de século escondida, mas para o público geral 'Rabid Dogs' continuou sendo um filme perdido.

Na virada do século o filme foi adquirido por Alfred Leone, que foi produtor de Bava e está providenciando o relançamento da obra completa dele em DVD. Por mais que gostasse do filme, achava que ele era inadequado para lançamento em cinema (e DVD) nos dias de hoje. Por isso, filmou mais ou menos 20 minutos de novas cenas (dirigidas por Lamberto e Roy Bava), passadas dentro de uma delegacia, e providenciou uma nova trilha sonora, mais 'discreta' e incidental, do mesmo Stelvio Cipriani que compôs a trilha original. Em minha modesta opinião estas cenas novas pioram o filme, roubando-lhe muito da urgência e diminuindo o clima de claustrofobia do original. A nova música é mais 'palateável' que a original, mais moderna, sem o charme sententista da balançante 'banda sonora' usada anteriormente.

Caso esta fosse a única versão lançada mereceria a execração pública, mas houve o imenso bom sendo de dar ao espectador a chance de compar a 'versão do produtor' Leone com a visão original imaginada por Bava pai. Na verdade é praticamente o mesmo corte que havia sido lançada em DVD por Blumenstock, com créditos diferentes (solarizados em verde e vermelho) e sem o 'shot' inicial citado. Além disso o DVD contém um documentário sobre as circunstâncias acidentadas da obra, e o comentário de Tim Lucas, biógrafo do diretor. Em resumo, um DVD obrigatório para o crescente fã-clube de Bava.
3.9.07
Fingimu qui fumo e vortemo
Ói nóis aqui traveiz"
(ou, para quem curte coisas mais pesadas... como eu!!!)
I been too long I'm glad to be back





Bom, é isso. Com esse post encerro as férias forçadas deste blog, e o declaro ativo de novo. Longa vida ao Olhar Elétrico!!!!
7.1.07
Como eu já previa, muita coisa boa ficou de fora dos meus melhores do ano. Que tal uma pequena lista adicional, com alguns desses filmes...

Se fosse um pouco mais regular, se o nível de algumas sequências se estendesse pelo resto do filme, estaria entre os cinco melhores do ano. Melhor uma obra prima com defeitos que um filme inteiramente medíocre. Aguilar, toma vergonha na cara e revê esse filme.
Seria um filme médio de horror se eu tivesse visto em vídeo, mas a possibilidade de vê-lo no cinema deixou-o melhor e mais sinistro. Leio várias reclamações sobre uma tal invasão oriental... enquanto os filmes continuarem legais, que eles continuem vindo.

Esse ficou de fora da lista por distração, é uma das experiências mais tensas que já passei no cinema. O que podia ser defeito virou qualidade: os atores amadores ficam falando um em cima do outro, deixando tudo mais tenso e realista ainda. Ótimo momento de Paul Greengrass.
Dois episódios da primeira temporada de Mestres do Horror que só foram exibidos em 2006. O primeiro, de Larry Cohen, é um excepcional jogo de gato e rato na estrada, com um favorito da banca (Michael Moriarty) num dos papéis principais. O segundo é talvez a obra-prima da primeira temporada da série, um sádico conto de fadas saído da mente doente de Takeshi Miike.

Uma pergunta para os meus 5 leitores: eu devo publicar resenhas de música e televisão neste blog mesmo ou devo criar outro especificamente para isso... (não descobri, no laptop da casa dos meus pais, aonde fica o ponto de interrogação...)

A revista eletrônica Zingu(http://revistazingu.blogspot.com) chega a seu quarto número. Leiam, é demais. Vale só pela foto de Edwige Fenech que ilustra a propaganda do mesmo, no blog gêmeo deste (por sinal roubei para ilustrar o meu, sem pedir permissão, mas acho que não vai ser problema), o Mondo Paura do Marcelo Carrard. Dona Luciane reclamou que sempre comentamos mais ou menos os mesmos filmes... que fazer se a gente sempre vê os mesmos filmes, se crescemos vendos os mesmos filmes... temos opiniões diferentes sobre vários assuntos (talvez pelo singelo motivo de sermos pessoas diferentes), mas vai ser difícil fugir de uma temática similar.
4.1.07
Quem diria... até a segunda metade dos anos 90 o cinema coreano era motivo de piada entre os fãs de filmes asiáticos. Faziam os filmes de horror mais toscos e burros daquela região, iam para lá atores que caiam em desgraça na China e na Tailândia... foi com surpresa que começamos a testemunhar o aparecimento de filmes bacanas vindos de lá. Primeiro (Whispering Corridors) parecia um acidente, com o tempo a quantidade e diversidade de filmes legais vindos daquela parte do mundo teve que ser reconhecida. Hoje vou resenhar três, que chegaram às minhas mãos há pouco tempo.

Até filmes de gangster se aprendeu a fazer na Coréia... e dos bons. Oldboy não foi um acidente, então... resumindo um roteiro do qual se deve divulgar o mínimo possível, um capanga de um gangster recebe como missão cuidar da namorada de seu chefe, e descobrir se ela tem um amante. Tudo vai bem (ele flagra os dois, dá uma surra nele e diz que se pegar os dois junto de novo atira neles), até o chefe voltar e resolver, sem explicar muito bem a razão, que tem que dar uma surra nele. Digamos que ele não acha lá muita graça da situação e resolve devolver para o chefe na mesma moeda...

Uma resposta para quem, como eu, reclamava que os orientais não estavam mais fazendo kaiju eigas (filmes de monstros gigantes)... e , como eles bem gostam, misturando gêneros distintos. Aqui temos a saga de um monstro, criado quando uma base americana deixa escapar lixo radioativo.
Tudo funciona: o monstro é MUITO feio (como tem que ser), a ação é constante, a mistureba de gêneros gera uma impressionante alternância de climas (tensão, humor...), e, coisa rara no gênero, sente-se muito a perda de vidas humanas na passagem do bichão. Está sendo exibido nos cinemas em todo o mundo civilizado, basta torcer para chegar por aqui.
R - POINT 
Uma mistura de gêneros que só os orientais sabem fazer: filme de guerra, de ação e de horror!!! Um pelotão é enviado ao tal Ponto R do Vietnã (equivalente, em fama, ao Triângulo das Bermudas) para descobrir o que ocorreu com uma tropa enviada para o mesmo local algum tempo antes. Aos poucos, os soldados começam a notar, ham, estranhas presenças no local, assim como tropas francesas, americanas e vietnamitas que também passaram por lá e não voltaram. Ao notarem que estas presenças tem o estranho poder de enlouquecer todos que convivem com elas, eles reparam que vão ter que lutar contra tudo e contra todos para conseguirem retornar com vida ao seu pelotão... como eu já disse, há uma bela duma mistureba de gêneros, que para surpresa geral funciona. O clima é tenso, quase não se explica nada (bem como eu gosto) e há farta distribuição de um certo líquido vermelho que não deve faltar nos filmes de nenhum dos gêneros emulados. Ótimo.
30.12.06
O Labirinto do Fauno – Guillermo del Toro
Apavorante visão da infância na guerra franquista. Como se alguém precisasse de uma prova do talento de Guillermo del Toro, ele nos entrega um filme fantástico sem concessões ao bom gosto hollywoodiano, aonde os maiores monstros estão no lado humano da história. Triste, belo, um mostra de como a fantasia pode ajudar a viver uma vida em tempos mais negros que qualquer ficção.
Viagem Maldita- Alexandre Aja
Prova que Aja não era fogo de palha, e que Haute Tension não era um acidente de percurso. Impecável, melhor que o original (como Wes Craven mesmo admitiu), o que todos achamos que seria impossível.
A Prairie home companion – Robert Altman
Digna e emocionante despedida de Altman, da vida e do cinema.
Os Infiltrados – Martin Scorcese
Ultra nervoso, uma linda transposição de um filme chinês para a cultura americana. Impecável, seja em sua invejável parte musical, seja nas atuações.
Heart of Gold – Jonathan Demme
Elenco impecável (Neil Young, Emmylou Harris), cenário sensacional (Teatro Hyman, em Nashville), música sensacional (a fase country de Neil Young). Chega a ser covardia.
Volver – Pedro Almodover
Algo está esquisito no mundo quando o melhor filme feminista do ano é dirigido por um homem... Almovar em forma, não preciso dizer mais nada.
No Rastro da Bala – Wayne Kramer
Caso Scorcese não estivesse na ativa e tivesse feito um filme de gangster, esse seria o melhor filme scorcesiano do ano. Raro caso de filme clipado que não vira uma palhaçada.
Assombração – Pang Brothers
Pode ter decepcionado quem foi ver sangue e horror, mas é um dos filmes fantásticos do ano. Mais uma prova do talento dos irmãos Pang.
O Segredo de Brokeback Mountain – Ang Lee
O romance mais tocante do ano no cinema foi entre dois homens... isso é sinal de alguma coisa...
Cassino Royale – Martin Campbell
Bond é relevante de novo... Viva Martin Campbell!!! Prometo nunca mais chamá-lo de clipeiro e mau diretor.
Espíritos
Uma apavorante experiência cinematográfica vinda da Tailândia. Que venham mais!!!!!
O Albergue – Eli Roth
...e não é que o guri tem talento mesmo... não deve ser exatamente a obra mais popular do mundo no leste europeu, mas acaba convencendo na composição de climas e violência delirante.
Zona Morta
Borat – vi em divx, não estreou nos cinemas ainda. Hilariante
Dark Waters – Melhor DVD contemporâneo do ano. Lançado no mundo civilizado, não aqui.
Dellamore Dellamorte – Lançado em DVD no mundo civilizado. Fascinante. Melhor filme fantástico lançado em 15 anos.
De vota ao Vale das Bonecas – Obra-prima de Russ Meyer finalmente disponível em DVD.
Pelts – episódio de Dario Argento no Mestres de Horror deste ano. O maior banho de sangue do ano.
The Host – A surpresa do ano vem da Coréia, um filme de monstros que destrói todas as regras estabelecidas para filmes de monstros
O Sacrifício
Desaforo imenso com um dos melhores filmes dos anos 70. Dá vontade de trancar todos os responsáveis por ISSO num homem de palha e tacar fogo.
A Dama na Água
Há alguns anos atrás, Shalayan era comparado a Hitchcock e Spielberg. Mais uns dois ou três filmes como esse (e seu antecessor, A Vila) e sua turma vai passar a ser Ed Wood e Phil Tucker Jr, ainda mais depois que O Labirinto do Fauno mostrou como uma fábula adulta deve ser. Mostra o que ocorre quando um roteirista começa a achar que é gênio e não descarta suas idéias de girico.
Pulse
Seria candidato a pior refilmagem do ano caso não fosse atropelado por O Sacrifício. Ruim,medíocre. O que Wes Craven está fazendo nesse projeto é algo que chega a assustar aos que ainda acreditam em seu talento.
18.12.06
Our life together is so precious together
We have grown, we have grown
Although our love is still special
Let's take a chance and fly away somewhere alone
It's been too long since we took the time
No-one's to blame, I know time flies so quickly
But when I see you darling
It's like we both are falling in love again
It'll be just like starting over, starting over
Everyday we used to make it love
Why can't we be making love nice and easy
It's time to spread our wings and fly
Don't let another day go by my love
It'll be just like starting over, starting over
Why don't we take off alone
Take a trip somewhere far, far away
We'll be together all alone again
Like we used to in the early days
Well, well, well darling
It's been too long since we took the time
No-one's to blame, I know time flies so quickly
But when I see you darling
It's like we both are falling in love again
It'll be just like starting over, starting over
Our life together is so precious together
We have grown, we have grown
Although our love is still special
Let's take a chance and fly away somewhere
Starting over
Uma parada de dois meses numa coisa instantânea como um blog marca um recomeço... como se eu tivesse perdido todos meus leitores e estivesse começando um blog novo. É assim que estou encarando isso... seria lindo se eu tivesse uma desculpa complexa e estapafúrdia para essa parada, mas meus motivos foram um pouco mais prosaicos: depois de dois anos de brigas com a imobiliária e o proprietário do apartamento que moramos (eu, Luciane, Groucha e Jordan), ele finalmente topou fazer a reforma que queríamos... e foram dois meses de pinturas, livros e DVDs encaixotados, bagunça... junto com isso uma bela duma sobrecarga de trabalho. O apartamento está habitável, pintado, não está mais caindo aos pedaços, isso é bom. Também é bom saber que vou ter um período tranquilo à frente, começo 2007 tirando 15 dias de férias, ou seja, nas próximas quatro semanas poderei postar com bem mais regularidade que estava fazendo isso nos últimos tempos... não parei de ver filmes, bem pelo contrário, então assunto é o que não vai faltar. Se preparem para me aguentar!!!
Êta filminho difícil de avaliar... pois sou fã do diretor desde que vi seu primeiro filme (o fantástico Cronos), por ele estar sendo elogiado até pela crítica que normalmente não elogia filmes de horror... dá vontade de bancar o advogado do diabo e catar defeitos no mesmo... mas não vou fazer isso. Simples assim, o filme não merece. É cinema fantástico sem concessões, sem 'vergonha', feito da forma que tem que ser feito. É um conto de fadas sobre a solidão, sobre como a fantasia pode ajudar as pessoas a superar momentos difíceis na vida. Lembra 'Ana e os Lobos', de Saura, lembra demais 'O Espírito da Colméia', lembra as pinturas de Goya e Picasso. Lembra que o cinema fantástico não tem que ser alienado para ser bom. Altamente recomendado.
Para cada refilmagem de 'Quadrilha de Sádicos' (relevante e inteligente) temos várias como essa aqui... êta filminho chato... transforma um dos mais marcantes momentos do cinema fantástico dos anos 70 numa palhaçada new age. 'Grandes' idéias como transformar o 'herói' carolão num tira ateu, a seita pagã num culto feminista e o papel que era de Christopher Lee passar para Ellen Burstyn já dão uma idéia do que temos aqui. Trocar Britt Ekland por Lelee Sobieski, ou seja, uma gostosona por uma anoréxica, segue no mesmo padrão. Tipo da situação que eu fiquei no cinema até o final mais para ver o que mais iam aprontar com o filme que eu gosto tanto...
Que dia aqui em Porto Alegre. Começando por umas dez da manhã um bando de baderneiros saiu na rua, para gritar, tomar cachaça e soltar foguetes. As pobres da Groucha e da Jordan, minhas gatas da raça 'Santana Streetcat', ficaram boa parte do dia embaixo da cama, assustadas. Que tipo de gente sai de casa para perturbar os gatos dos outros?
Nos vemos. Como diz a música, é como se eu estivesse começando de novo...
15.10.06

Primeiro, o sensacional livro de James Ellroy poderá ser vendido para outros cineastas o filmarem, de preferência como uma minissérie, que poderá fazer justiça à sua complexidade. Se o método de avaliação for 'fazer justiça ao livro', provavelmente a nota a ser dada será a bola preta.
Se não seguiu o livro, o que de Palma fez, então? Uma refilmagem noir de 'Dublê de Corpo'. Confuso (como são todos os noir clássicos, leia-se Chandler e Hammet), cheio de buracos de roteiro, com uma resolução 'corrida' e apressada, mas com várias cenas antológicas, e dezenas de referências a obras queridas do diretor. No melhor plano do filme, quando a câmera 'pula' por cima de um prédio, temos uma linda citação a 'Tenebre', de Argento, diretor que também tem citados 'Prelúdio para Matar' e 'Terror na Ópera' (este através dos corvos, onipresentes) citados visualmente. Aliás, uma de minhas obras de cabeceira, 'O Homem que Ri', é usada na resolução...
Uma boa parte dos problemas é causada por escolhas infelizes de elenco. Hillary Schwank é ótima atriz, mas para fazer mulheres de sexualidade ambígua, não uma femme fatale, de quem se exige femininidade e graça. Ninguém vai me fazer entender por que Mia Kirschner não fez papel duplo, ela é uma das coisas que faz tudo funcionar (em especial no stag movie, em que ela é 'introduzida' pela outra atriz) ... o Aguilar (que não gostou do filme, respeito sua opinião apesar de não concordar com ela) sugere uma inversão dos papéis masculinos, que poderia funcionar... a produção da Nu Image não ajuda, afinal dá-se todas as pistas de uma montagem apressada, com várias cenas importantes cortadas (pesquisando, vejo de Palma falando de uma primeira versão de três horas, que eu imagino que faça mais sentido).
Mas quanto às qualidades... há muito tempo não via tantas grandes cenas no mesmo filme, duas delas com Scarlett Johansson (quando Josh Harnett vê a 'marca' do meliante nela e uma tórrida cena de sexo). Como fã de giallo, nada tenho contra obras construídas a partir de grandes cenas, interligadas de maneira confusa e/ou pouco intelegível. Tudo é ajudado pela ótima trilha sonora (quem é o trumpetista?). Em resumo, é fácil ficar do lado de obras-primas inquestionáveis, difícil mesmo é tentar entender obras tortas como essa. Escolhi meu lado, fiquei encantado com o filme, fico do lado dele.
(foto roubada do blog do Leandro Caraça - ele não deve se importar)

se dispondo a usar roupa somente se a cena assim o exigisse. Uma espécie de 'complexo de Roman Polanski', com o cunhado (ou o diretor contratado, no caso do terceiro filme citado, que era Giuliano Carmineo) exibindo a mulher do produtor sob todos os ângulos, como se ele quisesse dizer ao público: gostou? é minha!!!!
Caso ela fosse ao fórum de discussões Mobius ela ia ficar muito orgulhosa com os comentários sobre a sua pessoa. Faço meu um deles: não trocava ela, com 57 anos, por muita gatinha de 20.
3.10.06
'MEME'


UM FILME QUE EU VI MAIS DE UMA VEZ: Vários. Como diz meu amigo Edu Aguilar, o que vale a pena não é ver, é rever. Tem filmes que eu faço questão de ver uma vez de seis em seis meses, tipo ‘O Poderoso Chefão’ (a triologia), ‘Três Homens em Conflito’, ‘Era uma vez no Oeste’, ‘As Três Faces do Medo’... quando eu penso que o cinema não tem jeito, revê-los me dá uma nova fé nessa arte.
UM FILME QUE EU LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA: Tommy. Filme e música fascinantes. Não ia me cansar tão cedo. Mas será que eu teria DVD numa ilha deserta? Sei não...
UM FILME QUE ME FEZ RIR: Banzé no Oeste. Arsenic and Old Lace. Quase tudo dos Irmãos Marx e de Buster Keaton. Apertem os cintos, o piloto sumiu. Quanto mais quente melhor. Paro por aqui...
UM FILME QUE ME FEZ CHORAR: Spartacus. Vi no cinema com dez anos.
UM FILME QUE EU QUERIA QUE NÃO TIVESSE SIDO FEITO: Forrest Gump. A glorificação do idiota sendo premiada e tratada com grande arte. A prova que qualquer idiotice pode ser tratada como grande cinema.
UM FILME QUE EU TENHO PARA VER: Vários. Desde que foi possível baixar filmes pela internet eu tenho sempre uma respeitável pilha de CDs olhando pra mim, me dizendo ‘vem me ver, não se esqueça de mim...’. Tenho também os DVDs da ‘Legacy Collection’ da Universal, cada um com uns dez filmes, esperando o feriado certo pra mim fazer uma longa sessão. Já fiz com Dracula e Frankenstein, agora o Lobisomem, a Múmia e o Homem Invisível me esperam.
UM FILME QUE EU VI HÁ POUCO TEMPO: Judex, o francês de 1917. No cinema, o último que eu vi foi 'United 93', de Paul Greengrass. Ótimo.
UM FILME QUE EU QUERIA TER FEITO: É difícil, pois não sou cineasta, e sim escrevo sobre cinema... ‘Kwaidan’? 'O Poderoso Chefão'? 'O Estranho Mundo de Zé do Caixão'? 'Bangue Bangue'?
PS: Como diria Spock, longa vida e prosperidade para a revista digital Zingu, do Mateus Trunk, da 'turma' do Carrard e do Aguilar
28.9.06
A pedido da Liga dos Blogues montei uma lista de 20 grandes filmes dos anos 60. Apesar de divertidas de montar, essas lista sempre são injustas, FICA muita coisa de fora. A Liga pediu para fazer 20 filmes, sem 'acavalar' os mesmos em uma posição (como eu sempre faço), eu só coloquei um filme por diretor para haver alguma variedade. São escolhas PESSOAIS, quem discordar monte a sua própria lista.
1. A Via Láctea (Voié Lacteé, 1969), Luis Buñuel
Uma das obras que mudaram a maneira que eu vejo cinema. Vi em algum momento dos anos 80, na Bandeirantes, e pirei.
2. Três Homens em Conflito (1966), Sergio Leone
Sergio Leone teve uma década maravilhosa ... escolha difícil, fiquei com o meu favorito.
3. Meu ódio será tua herança (The Wild Bunch, 1969)
Sam PeckinpahSe os filmes de Leone deixaram o western clássico envelhecido e fora de lugar, esse aqui colocou a pá de cal. Amoral, violento, brutal. Sensacional.
4. Os Olhos sem Face (Las Yeaux san Visage, 1960) - Georges Fraju
Quantos filmes podem se orgulhar de terem criado um gênero? Essa obra-prima de Fraju criou o horror europeu. Lírico, brutal e sarcástico ao mesmo tempo.
5. Psicose (Psycho, 1960) - Hitchcock
'Só' o melhor filme de horror da história.
6. As três faces do medo (Black Sabbath / Il Tre volti della Paura, 1963) – Mario Bava
A AIP encomendou um filminho 'B' de horror, Bava entregou uma ousada mistura de literatura russa, composições que lembram quadros em movimento e momentos de gelar o sangue.
7. Desafio do Além (The Haunting, 1963) – Robert Wise
Horror como ele não é mais: classudo, inteligente, sutil. Quase sem efeitos especiais, confiando nos climas. Impressionante. Feito entre duas obras de Wise que não tem nada a ver com isso, 'West Side Story' e 'A Noviça Rebelde'.
8. Kwaidan (1964) – Massaki Kobaiashi
Duas horas e quarenta minutos (na versão que eu vi, dizem que saiu um DVD inglês com mais de três horas) de poesia visual.
9. 2001 (1968) - Kubrick
Muita gente não levava ficção científica a sério... até Kubrick se meter e fazer essa obra-prima.
10. Histórias Extraordinárias (Spirits of the Dead / Histoires Extraordinaires, 1968) – Roger Vadin, Louis Malle e Fellini
Muita coisa pode dar errado quando três diretores não ligados ao gênero vão dirigir obras de horror. Não aqui.
11. O Desprezo(Le Mépris, 1963) – Jean-Luc Godard
Mais um cineasta no auge, em uma década com várias obras-primas. Escolhi o meu favorito. NO meio de tantos filmes bacanas, digamos que (como diz um amigo) as 'bardotscapes' desempataram o jogo;-)))
12. O Beijo Amargo (Naked Kiss, 1964) – Samuel Fuller
Cinema de macho. Um perverso retrato da América dos anos 60
13. Gritos na Noite (Gritos en la Noche / The Awful Dr. Orloff, 1962) – Jesus Franco
Após dirigir filmes de flamenco, Jess Franco apresentou-se ao mundo com uma obra símbolo do horror europeu. Se 'Os olhos sem face' mostra o que acontece quando um artista dirige um filme de horror, aqui vemos o que ocorre quando um pervertido assume o comando.
14. Intruder (1962) – Roger Corman
Numa década em que parecia fazer uma obra prima atrás da outra, Corman se superou ao fazer uma das obras mais provocantes de seu tempo. Foi um dos únicos casos em que ele perdeu dinheiro nessa época, mas é seu filme favorito. Quem sou eu para discordar?
15. Deus e o Diabo na terra do sol (1964) – Glauber Rocha
Eu tinha que escolher um filme brasileiro para representar essa época. Que tal esse?
16. O Estupro da Vampira (La Viol du vampire, 1967) - Jean Rollin
Um dos cineastas mais originais ligados ao horror. O que é isso, um pesadelo, uma alucinação? Não é prá menos que o público fez um tumulto no cinema que o exibia, em Paris, e quase bateu no cineasta e no pobre do projecionista...
17. O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968) - José Mojica Marins
Mojica ainda conseguia filmar nessa época... é difícil escolher um deles, pois todos são bons. Que tal o primeiro que eu vi?
18. O Dia da Desforra (La Resa dei Conti / The Big Gundown, 1966) – Sergio Sollima
Western marxista, sobre um 'campesino' perseguido pelos donos do poder, que apesar de engajado não deixa de ser engraçado e cheio de ação. Que todos os filmes políticos fossem assim.
19. A Noite dos Mortos Vivos (1968) – George Romero
Morre o cinema clássico de horror, nasce o contemporâneo.
20. O Incrível Exército de Brancaleone (1966) – Mario Monicelli
Uma das obras mais engraçadas da história. Branca Branca Branca, Leone Leone Leone...
Sei, muita coisa ficou de fora. Amanhã, sexta, publico uma listinha de mais 30 filmes dessa época, com os mesmos critérios (sem repetir diretor). Inté.
17.9.06
Festa na casa de George Cukor em homenagem a Luis Buñuel, novembro de 1972... em cima, da esquerda para a direita: Robert Mulligan, William Wyler, George Cukor, Robert Wise, Jean-Claude Carriere (roteirista de vários filmes de Buñuel) e Serge Silverman (ou Silberman, dependendo de onde você leia... produtor dos últimos filmes de Buñuel, de 'Miss Muerte' de Franco e de 'Ran', de Kurosawa, entre vinte e tantos outros). Na fileira de baixo, da esquerda para a direita: Billy Wilder, George Stevens, Luis Buñuel, um gordinho que não entendia nada de cinema e Rouben Mamoulian. Eles devem ter ficado a tarde inteira falando de política e futebol, né?




12.9.06

Michael Mann é um diretor que eu 'tive que engolir', como diria um ex-técnico da seleção brasileira. Eu via Miami Vice em sua época (na TV uruguaia, por sinal, com direito a dublagem en español), achava a série legal, mas um tanto quanto superficial e clipada. Não em empolguei nem um pouco quando seu executivo virou diretor de cinema... fui obrigado a reconhecer o talento, no início um pouco a contragosto, achando que podia ser acidente, algum assistente competente... no caso de Miami Vice, o filme, ele confirma várias qualidades que já podiam ser vistas nos filmes anteriores... a facilidade de criar climas estupendos, a sensível direção de atores (culminando numa caliente cena de sexo entre o criticado Colin Farrel e a lindona Gong Li... ela 'chorando no ato' foi uma das cenas mais sensuais qeu vi no cinema esse ano) e excepcionais cenas de ação. Aqui me surpreendi com como o filme tem relativamente poucas cenas de ação, se concentrando na preparação para as mesmas.
Li muitas críticas à atuação de Colin Farrel... curiosamente foi uma das coisas do filme que eu mais curti. Frio, discreto, ele é um personagem mais interessante da obra, contrastando muito bem com o mais elétrico Jamie Foxx. Aliás, uma das críticas daqui de Porto Alegre concentrou-se no visual de cantor de bolero utilizado pelo ator irlandês na película (com aqueles mullets típicos dos Allman Brothers)... se ele tivesse que parecer com modelo realmente aquele look estaria equivocado, mas ao que eu me lembre ele deveria se infiltrar entre os traficantes, logo ele estar um perfeito chinelão é até recomendável. Outra crítica portoalegrense reclama que 'os personagens parecem super heróis, dirigem aviões, atiram como cowboys...' também, que eu me lembre eles são agentes do FBI, logo o exame para ingresso nessa tropa de elite é um pouco mais difícil que fazer o quatro e contar até dez... se os agentes em questão devem se infiltrar entre os traficantes, não me parece absurdo eles tirarem um brevê...
Também chama atenção o trabalho virtuosístico de fotografia, a cargo de Dion Bebee... o trabalho com a câmera digital Thompsom Viper (já utilizada por Beebe em 'Colateral') é simplesmente excepcional, e acaba contribuindo para o look realista e naturalista pretendido. Curti muito ver Ciudad del Este, no Paraguai, com todo seu visual sujo, em um filme 'de primeiro mundo'.
É difícil criticar um filme de M. Night Shyamalan (Chalaião, como vou me referir a ele no resto do artigo, para os íntimos). Depois de três filmes impecáveis (O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais) aparentemente ele começou a acreditar nas resenhas que a imprensa chapa branca fazia dele, que ele seria o novo Hitchcock, e deu uma derrapada sem tamanho em 'A Vila', duas horas e meia de discussões sobre o sexo dos anjos. Por mais que as coisas melhores um pouco em 'A Dama na Água', o negócio continua longe de ficar legal. O maior dos problemas parece ser falta de modéstia... afinal, o cineasta viver um escritor que irá escrever um livro que mudará a história do mundo não é exatamente uma demonstração de simancol. O filme conter alguns dos piores diálogos escritos nos últimos anos também não.
Desperdiça-se os atores (em especial os protagonistas, Paul Giamatti e Bryce Dallas Howard, mais o comediante Bob Balaban) em uma espécie de teatro mambembe excepcionalmente bem fotografado (por Christopher Doyle, que trabalha com Wor Kar Wai, e Zhang Ymou, em seu segundo filme ocidental desde 'Psicose', o de Gus van Sandt) que simplesmente parece estar mais preocupado em agradar ao umbigo do diretor que em contar uma história interessante e coerente para o público. ‘É para ser uma fábula’, diz o diretor em entrevistas... uai, então faz direito, acha o clima correto prá fazer isso. Do jeito que ficou, tudo está no meio do caminho: é sério e solene demais para ser um filme infantil e bobo demais para ser levado a sério por adultos (que iam adorar, por exemplo, que o corpo de Bryce Dallas Howard fosse mostrado de forma mais detalhada). Diálogos como ‘oi, eu sou uma narf’ só fazem sentido para crianças muito pequenas... aliás, essas crianças pequenas provavelmente não vão entender a vendetta pessoal do Chalaião contra os críticos de cinema, personificado aqui por Bob Balaban. Senti saudade do modo que Joe Dante lidou com o assunto, em ‘Gremlins
Chalaião tem solução? Provavelmente tenha... Joel Schmacher fez ‘Phone Boot’ e ‘Tigerland’ depois da catástrofe que foi ‘Batman & Robin’, Brian de Palma fez ‘Femme Fatale’ depois de ‘Os Trapaceiros da Loto’, John Carpenter fez ‘Vampiros’ e ‘Fantasmas de Marte’ depois de ‘Fuga de Los Angeles’ e ‘A Vila dos Amaldiçoados’... o problema maior será ele ter a modéstia necessária para ver o que anda errado com seus filmes e consertar isso. Ele não pode ter desaprendido a dirigir atores e a escrever roteiros de uma hora prá outra...
Uma das melhores coisas de poder baixar filmes pela internet é achar obras que nunca chegariam às minhas mãos pelos ‘caminhos normais’ de distribuição... filmes orientais que não chegam aqui nem à tapa, seriados de TV que não chegam por aqui... e, em meu caso específico, as minisséries da BBC que não tem lá muita perspectiva de darem as caras por nosso país em um futuro breve. Nesse caso se encaixa a excepcional ‘O Dia dos Triffids’. Já nos créditos vemos que as coisas vão ser diferentes... ‘O dia dos Triffids, de John Wyndhan’... deixa claro que pelo menos vai se tentar seguir o livro, o que não se tentou na paupérrima adaptação cinamatográfica dos anos 60. E realmente, até para a surpresa dos fãs de livros de ficção científica que nunca são adaptados direito para o cinema (ou, neste caso, para a TV), segue-se a estrutura do livro, muitas vezes segue-se até os diálogos do livro. Ótimo. Vê-se, finalmente, o apocalíptico livro de Wyndhan ser adaptado para a telinha.
Tudo no ‘padrão BBC’, espartano (
APOCALIPSE
Um dos lançamentos mais surpreendentes do ano é ‘O Apocalipse da Liga dos cavaleiros’... digo surpreendente pois foi lançado no Brasil sem que a série original, ‘A Liga dos Cavaleiros’, tenha saído por aqui... a série, da BBC, que durou duas temporadas e depois deu origem a shows de teatro, era uma grande gozação com os filmes britânicos de horror, girando em torno de um culto pagão que seqüestrava estranhos para sacrificá-los e garantir vida eterna aos ‘locais’... sem saber isso, o filme fica quase incompreensível. Toda hora eu tinha que explicar para a Luciane com o que eles estavam brincando, com o que eles estavam tirando barato... numa comparação forçada, é como se fizessem um filme inspirado nos personagens do Casseta e Planeta, e ficassem o tempo inteiro fazendo menções a eventos ocorridos na série... eu, que conhecia a série, adorei, mas não duvido que quem não conhece os personagens ache tudo muito sem graça e estranho...
4.9.06
Não poderia deixar de registrar que semana passada (dia 25 embarcou para o outro lado Joseph Stephano, responsável por dois trabalhos que acho sensacionais: foi o principal roteirista da série 'The Outer Limits' e 'apenas' escreveu o roteiro do melhor filme de horror da história', 'Psicose'. Na série, uma das duas melhores de ficção científica e horror da história (a outra sendo 'Além de Imaginação'), ele atuou como produtor e roteirista (justamente dos melhores episódios, entre eles 'The forms of the things unknown', considerado o melhor de todos e um clássico do horror televisivo), tendo sido responsável (junto com o diretor, Leslie Stevens, e o fotógrafo, Conrad Hall, ambos envolvidos com clássico maldito 'Incubus') por episódios que fizeram a cabeça de três gerações de fãs. E... o que eu posso falar de 'Psicose'? O trabalho de Stefano ajudou a transformar um livro de 'pulp fiction' numa daquelas unanimidades que chegam a parecer burras, mas acaba revertendo em reconhecimento (entre dezenas de outras coisas) pelo seu trabalho exemplar de adaptação. Pode não ter feito tanta coisa assim, mas, vamos e venhamos, fez o suficiente para ser imortalizado. Descanse em paz!!!

1.9.06

Anunciado um projeto que provavelmente será uma das maiores bombas dos próximos anos. É a terceira filmagem de 'I am Legend' (lançado aqui duas vezes, uma como 'Eu sou a Lenda', outra como 'A Última Esperança da Terra'), de Richard Matheson, em minha modesta opinião um dos dois melhores livros de vampiro do século passado (o outro sendo 'Entrevista com o Vampiro', de Anne Rice). Como ator principal, para o lugar que já foi de Vicent Price (em 'Mortos que Matam') e Charlton Heston... Will Smith. Para diretor... Francis Lawrence, de Constantine. Para roteirista (o que realmente me incomodou)... Akiva Goldsman, que escreveu o clássico 'Batman & Robin', que topa tudo por dinheiro. Já escapamos de uma boa nos anos 80, quando esse projeto foi anunciado com Arnold Schwarzenegger como ator principal e Ridley Scott como diretor, e depois cancelado por ser 'muito caro' (deve ser caríssimo mesmo filmar em uma cidade em ruínas). Agora, infelizmente, parece que o negócio vai prá frente.

Conhecendo as figuras como eu conheço, até parece que eu já sei como eles vão usar o mote central (que no livro e nos filmes é usado de forma dramática, em seu final).
Vampiro: Quem é você?
Will: Sou a Lenda, muthafucka (BANG! BANG! BANG!)
Quando estava lendo sobre esse projeto, me lembrei de quando anunciaram que o clássico 'The Haunting' seria refilmado por Jan Debont. Mandei um mail para um amigo, curto e grosso: estamos f...
RAROS MEXICANO

Dando continuidade ao projeto Raros, vamos exibir hoje o clássico mexicano 'O Espelho da Bruxa', um dos filmes que solidificou a reputação do cinema mexicano como um dos mais selvagens de sua época. Direção de Chano Urreta, com Rosa Arenas, Armando Calvo e Isabela Corona. Bruxaria, satanismo, cientistas loucos, mãos que saem andando sozinhas... podem acusá-lo de ser doido, tosco, ter roteiro estrambólico, não de ser previsível ou medíocre. No Gasômetro, sala PF Gastal, às OITO horas. Com direito a palestra com um enganador no fim.
31.8.06

Uau, segundo filme fantástico oriental a estrear em Porto Alegre em duas semanas. E desse vez dos irmãos Pang, que eu curto muito desde o primeiro filme da série 'Gin Gwai' ('Vendo Fantasmas', tradução litweral, lançada como 'The Eye' em inglês, 'A Herança' e 'Visões' em nosso país) . Como o terceiro filme dessa série ('Visões 2' no Brasil) acabou sendo polêmico em seu tom irônico (não compreendido por grande parte dos espectadores, que se irritaram com o tom de comédia estilo American Pie e não perceberam que os elementos que fizeram a equação funcionar nos dois primeiros produtos da triologia continuavam todos lá), havia a dúvida se eles haviam virado o fio ou se estavam guardando na manga uma carta, hipótese que se confirma com esta nova produção.


Lendo as resenhas gringas, vejo que houve algumas reclamações sobre um suposto 'viés anti-abortista'. Até existe isso, mas não é nada gratuito, pois se torna um dos mais importantes elementos do roteiro da segunda metade da história. A sensível atuação de Angelica Lee (a cega de 'A Herança', voltando a trabalhar com a turma) acaba fazendo tudo funcionar, pois se ela tievsse errado o tom tudo ia por água abaixo, o que é para ser uma jornada de auto conhecimento virava uma chanchada.

Agora, nossos tituladores estavam num dia inspirado quando escolheram o nome dessa produção. 'Assombração', além de dar o tom errado do filme, acaba dando várias pistas erradas para o público. Não é só o filme que se chama assim, o livro que a escritora está escrevendo também, e isso dá várias informações e expectativas equivocadas para quem está vendo.
24.8.06

Astral Weeks
If I ventured in the slipstream
Between the viaducts of your dream
Where immobile steel rims crack
And the ditch in the back roads stop
Could you find me?
Would you kiss-a my eyes?
To lay me down
In silence easy
To be born again
To be born again
PS: O disco novo de Bob Dylan, Modern Times, tá SENSACIONAL!!!
19.8.06
É só falar de música um pouco que eu me emociono...
As duas músicas que Kris Kristofferson compôs para Sam Peckinpah...

I've seen you standing there stunned in the spotlight
I've seen the sweat streak the pain on your face
Cause you're caught like a clown in a circle of strangers
Who do you screw to get out of this place
It's one for the money
And too far to go
Three fingers of whiskey
Just for the soul
That lady you're pleasin'
Is hungry and cold
Don't look in her eyes
You'll see what you sold
Too many bodies in too many bars
Too many feelings are fallin' behind
Cause you're easy to fool when you're lost in the stars
Shoot out that spotlight before you go blind
It's one for the money
And too far to go
Three fingers of whiskey
Just for the soul
That lady you're pleasin'
Is hungry and cold
Don't look in her eyes
You'll see what you sold

I have been with the best that the bastards could muster
From Danny the Dildo to Sidney the Snake
And I feel like a working girl pausing to wonder
Just how much screwin' the spirit can take
I said, ";Willie old buddy, please tell me again
The reason to keep goin' on.";
He said, ";There's no harder words to say over a friend
Than they done you so righteously wrong
They stopped you from singing your song";
He was our hero, boys, he took the bullet
But he went down swingin' his fist from the floor
You can ask any working girl south of the border
Sam Peckinpah era un hombre for sure
Willie old buddy please tell me again
The reason to keep goin' on He said,
";There's no harder words to say over a friend
Than they done you so righteously wrong
They stopped you from singin' your song.";
But not me.
Agora só falta achar as duas em mp3...
Uau, mais um filme oriental de horror no cinema... que bom que isso deixou de ser raridade. Que permaneça assim, e que a cortesia seja extendida a filmes italianos e espanhóis, para começar...
Quanto ao filme em si... é o mais 'clássico' dos filmes japoneses lançados aqui. Recupera um personagem tradicional no cinema de horror, a criancinha com a bola (que nesse caso é vermelha, já foi branca), que deu as caras pela primeira vez em 'Kill Baby Kill (Operazione Paura)', de Mario Bava, e dali partiu para 'aparições especiais' em 'Toby Dammit', de Fellini, 'Twin Peaks: Fire Walks with me', de David Lynch, para acabar em 'Medo ponto com', dum pulha que eu não lembro o nome.
O roteiro está longe de ser novidade: na rodagem de um filme de horror (que 'documenta' uma série de assassinatos reais), a personagem principal começa a ter pesadelos com o ocorrido, e a perceber que pode ser a reencarnação de um dos personagens do filme... Tudo bem como eu gosto, com poucas explicações, sem voice overs para explicar o que está ocorrendo... final apocalíptico, virada final sensacional, mitologia budista, lógica de sonho... estou no céu. Belíssimo. E, para quem fez a pergunta, aqui não existe aquele personagem, o fantasma de cabelos compridos. Uma hora insinua-se uma aparição dele, mas trata-se de um alarme falso.
Como em todo bom cinema, o que menos importa é o que está sendo contado, o importante é como se conta a história. Bem como eu gosto: com flashbacks 'cruzados', através de sonhos e visões dos personagens... sem nenhuma grande explicação para quem não sabe contar dois mais dois mentalmente. êba!!!
Uma amiga da Luciane reclamou que estão aparecendo muitos filme orientais de horror ultimamente... enquanto eles forem legais como esse, como 'Espíritos', como 'O Grito', eles que continuem aparecendo, eu quero mais!!!!!
Uma das resenhas que eu consultei reclama de incongruências... certo, quer tudo certinho, seguindo todas as leis da física dentro de um sonho... não percebeu que boa parte da ação se passa dentro da cabeça de uma das personagens? Legal... quem sabe admitir que não entendeu e ver de novo...
Recentemente comentei uma situação minha com dona Luciane, e ela sugeriu que eu a colocasse no blog, poderia ser útil para os leitores saberem o que significam os 'critérios subjetivos' que fazem uma crítica ser diferente da outra...
Eu estou trabalhando há mais ou menos um mês em um conto chamado 'Anjos do Sul', inspirado (não só nisso, mais em alguma coisa de mitologia budista e alguns estudos) por uma letra da fase bicho-grilo dos Mutantes (que eu adoro - quem não gostar que me processe). Fiquei 'mergulhado' nisso exatamente nas minhas férias, que estão acabando nesse final de semana. Quando voltei para Porto Alegre, duas surpresas: primeiro, minha gata, a quem acabei dedicando o conto. Depois, um dos filmes que está sendo exibido em Gramado, e está estreando em Porto Alegre, se chama... Anjos do Sol. Nada a ver com meu conto... o filme trata de prostituição juvenil, o meu conto é super metafísico, bem abstrato (como eu sempre acho tudo que leio meio explicadinho demais, quando escrevo ficção tendo a explicar o mínimo possível...). Resultado: Vou ter que esperar umas duas semanas para ver o filme, que não 'fez' nada contra mim mas acabou ganhando minha antipatia por um motivo tão, digamos, metafísico...
Para dar uma idéia do que se trata o conto que estou escrevendo, aqui vai a letra da música...

Todas nuvens desapareceram
Vamos todos levantar
Dando graças aos espíritos da luz
que os anjos do sul já vão chegar...
Vamos juntos levantar os véus
Que nos cobrem o coração
Dando graças aos espíritos de luz
Que os anjos do sul já vão chegar...
Esperança, amor, contemplação
Vamos todos alcançar
Dando graças aos espíritos da luz
Que os anjos do sul já estão no céu...
15.8.06
MAIS CASTELOS DE SANGUE

Um filme interessantíssimo esconde-se atrás do título genérico "Blood Castle", utilizado várias vezes (como em 'Danse Macabre', de Antonio Margheritti, lançada em DVD como 'Castle of Blood', ou na versão para TV de 'Il Frusta i il Cuorpo', de Mario Bava, ou ainda no filme de Jorge Grau sobre a Condessa Bathory, lançado nos cinemas americanos como 'Legend of the Blood Castle)... trata-se de "IL CASTELLO DALLE PORTE DI FUOCO" (ou "Ivanna", se você for olhar em sua ficha espanhola), co-produção franco-ítalo-espanhola rodada pelo diretor espanhol José Luis Merino em 1972. Quando começou eu já ia desligar o aparelho, pois eu já tinha visto esse filme antes, como "Scream of the Demon Lover"... uma olhada mais atenta faz reparar que a versão da Sinister Cinema com esse título dura 75 minutos (74:45, para ser exato, fui ver na fita), enquanto essa outra, sob a alcunho "Blood Castle", dura 98... ou seja, sem nenhum aviso, restauraram-se quase 25 minutos de metragem. Além de mais nudez e sangue, apareceram também algumas cenas que transformam o que era uma boa duma zorra em algo que faz bem mais sentido. Como eu não tinha muitas informações sobre o original (que me foi presenteado pelo Coffin Souza, quando ele se mudou para o Nordeste), imaginava, pela temática e pelas 'características' (passado num castelo, cenas com candelabros, laboratórios cheios de coisas burbulhando), que ele devia ser da 'Golden Age' do horror italiano (1959-66, iniciada em 'I Vampiri' da dupla Fredda-Bava)... engano, é do início dos anos 70, em plena 'silver age' (iniciada 'informalmente' por Mario Bava em 'Hatchet for Honeymoon', em 1967). O elenco e a maneira de dirigir é mais espanhola que italiana (a todo momento se espera que Paul Naschy ou um dos mortos cegos dê as caras), mas foi rodado na Itália. Também 'denunciam' sua época a nudez frequente das atrizes e a boa dose de violência, típicos das produções pós-A Laranja Mecânica. Um filme a ser descoberto... e a ser lançado decentemente, pois o DVD da Retromedia (origem do 'rip' que eu baixei), apesar de seu imponente frame em widescreen (ao contrário das versões em 'full screen' de 'Scream of the Demon Lover', retiradas de cópias de 16mm) foi masterizado de uma fita em VHS lançada na Inglaterra há umas duas décadas. Alguma produtora maior se encarrega de proceder um lançamento decente?

Dedico meu mini artigo de hoje a uma de minhas melhores amigas, dona Babou Babulina, que deixou nossa dimensão neste sábado... quem não tem animais de estimação não faz idéia de como a gente se apega neles... para um casal sem filhos como eu e a Luciane, ela ocupava mais ou menos essa 'posição' na casa, com as devidas 'correções de rota' (sim, nós sabemos a diferença entre um gato e um ser humano)... em seus três anos nesse plano ela nos trouxe muitas alegrias e nos deu muito amor, retribuído por nós. Para os que ficam, sobram a saudade e as memórias.
13.8.06


10.8.06

Uma das coisas boas das férias é fazer o que normalmente não dá prá fazer... como ir para a TV a cabo depois do almoço e sair catando filmes para ver. Na terça descobri um documentário sobre Edgar G. Ulmer passando no canal HBO, que se passasse normalmente eu não ia descobrir(já que ingenuamente eu ligo documentários ao canal GNT). Muito bom. 'Edgar G Ulmer, the man offscreen' entrevista atores que trabalharam com Ulmer, diretores (Joe Dante, John Landis, Wim Wenders, Roger Corman), críticos de cinema (Tom Weaver, um ou dois almeãs), sua filha Arianée e, curiosamente, o próprio, com a reprodução de trechos de sua entrevista com Peter Bogdanovich publicada no seu livro de entrevistas com diretores.

O único defeito, não sei se do documentário ou da legendagem, foi a não identificação dos participantes. Se eu não conhecesse boa parte da turma de outros carnavais eu não ia saber quem eram aquelas simpáticas pessoas, podia achar que eram atores, por exemplo.
Uma das frases mais bacanas do documentário é de Joe Dante. Qualquer idiota faz um filme com quarenta milhões de dólares, difícil mesmo era fazer um filme com quarente mil, em seis dias e praticamente sem cenários. A descrição da técnica de Ulmer, de como ele fez uma das obras-primas da Universal (O Gato Preto, com o personagem de Boris Karloff inspirado no então vivo Aleister Crownley) e foi botado a correr do estúdio após roubar a mulher de um primo do dono do mesmo, Carl Laemmle, e ser obrigado a trabalhar o resto da vida no 'Poverty Row' (estúdios paupérrimos fora do eixo das superproduções), em filmes étnicos (só com negros e falados em íidiche, rodados em Nova York), e por fim na Europa, nos anos 50 (quando isso era suicídio comercial para os diretores que trabalhavam na América). Eu já tinha lido sobre essa bela saga, mas vê-la contada, com vários de seus protagonistas, sempre é legal. E tem os próprios filmes, que são ótimos. Não vi todos, mas os que eu vi (Detour, O Gato Preto) são sensacionais.
HOLMES 2005

Na mesma tarde de terça descubro uma produção recente sobre Sherlock Holmes, 'Sherlock Holmes e o caso da meia de seda'. Da BBC, de 2004, com Rupert Everett no papel título. Trata-se de uma adaptação modernosa, com Holmes perseguindo um serial killer, lendo livros de psicologia (dados pela noiva de Watson, uma milionária americana), viciado em cocaína (algo tangenciado nos livros de Conan Doyle, muito valorizado nas últimas adaptações) e totalmente assexuado (mesmo com Everett no papel principal, achei que ele ia dar umas desmunhecadas), ao contrário de adaptações recentes, em que tanto Holmes ficava correndo atrás de mulheres ou era retratado abertamente como homossexual. A gente é o que a a gente lê, Holmes, junto com Júlio Verne, foi a primeira coisa que eu li não infantil, logo sempre que eu vejo uma adaptação eu dou um jeito de ver. A versão mais curiosa que vi é uma filmagem russa, com Moriarty vivido por um ator que lembrava o dr. Mabuse dos filmes de Fritz Lang e várias (e pouco sutis) referências à decadência do capitalismo... Falando em versões, fazem alguns anos que não fazem nenhuma adaptação de Holmes com grande orçamento, hein...
PS - Agora que a mudança de formato parece que resolveu o problema que eu estava tendo com ilustrações, dei uma ilustrada nos posts anteriores. Sugiro uma olhada neles, várias colocações minhas fazem mais sentido com fotos...
9.8.06

Uma boa surpresa: um filme de Sergio Sollima que apareceu por aqui sorrateiramente nas bancas, bem barato (comprei a 10 reais)... que é ótimo. Trata-se de um thriller bem setentista, no sentido de ser bem frio e 'prá baixo', sobre um assassino de aluguel aposetado que sofre um atentado e vai a Nova Orleans (uma geração antes do furacão) se vingar dos supostos mafiosos que o queriam morto... sem saber que o perigo estava mais próximo dele do que ele pensava.
6.8.06

QUADRILHA DE SADICOS
Quando eu vi a versão de Alexandre Aja para o filme de Wes Craven, que era adorado por toda a minha geração de cinéfilos (que, como eu, o viu no Supercine, no final dos anos 80), pensei que não ia ser necessario comenta-lo. Nas primeiras conversas com os amigos sintonizados com o meu gosto (Carrard, Verardi, Caraça, enfim, os suspeitos de sempre) houve o que não houve, por exemplo, na refilmagem de outro dos nossos filmes, Massacre da Serra Eletrica: unanimidade. Minha opiniao ia ser dispensavel, entao... foi so começar a ler as resenhas da imprensa especializada que vi que ia precisar sair em defesa do mesmo...
As primeiras resenhas que me irritaram vieram de sites pretensamente para jovens... nas tres resenhas se reclamou do excesso de violencia do filme. Provavelmente eles queriam que a tribo de canibais cercassem o trailer da familia no deserto e ficassem gratando bu bu bu, como indios de filmes americanos dos anos vinte e trinta, e que a familia saisse e negociasse a rendiçao deles... outro critico, que por sua antipatia a filmes de horror esta se tornando uma especie de Tuio Becker de sua geracao (com sua imortal logica de normalmente nao gosto de filmes de horror... e desse eu nao gostei tambem!!!), apelou para o antiamericanismo, numa saida a Sergio Davila (que, em seus tempos de critico na Folha, via a doutrina Bush em todos os filmes americanos que apareciam, assim como denunciou o novo Planeta dos Macacos como racista) acusou o filme de ser americanoide... sei, num filme em que os viloes existem por terem sido bombardeados por material radioativo pelo exercito americano, aonde eles acusam os EUA de serem responsaveis por eles serem daquele jeito e que um personagem literalmente maluco sai cantando o Star Spangled Banner, e ainda por cima e dirigido por um frances (e cuja equipe e majoritariamente francesa e marroquina), que tem todos os motivos do mundo para detonar a America (e detona em varios momentos) a criatura viu isso... e fogo...
De minha parte, achei o filme exemplar. Muitíssimo bem dirigido por Alexandre Aja, o primeiro grande diretor de cinema fantastico a vir da França desde o octagenario Jean Rollin. Por mais que o roteiro tenha uma falha ou outra, e que existam alguns cliches, ele dribla tudo isso com uma excepcional habilidade de criar cenas tensas, e um olho sensacional, seja para casting (todos os atores estao perfeitos, começando por Billy Drago, que eu estava com o maior medo de detonar o filme por suas, como posso falar, limitaçoes como ator. O ator que faz o papel do protagonista (Aaron Stanford), que tem sua filha sequestrada pela quadrilha, esta sensacional, numa interpretaçao que lembra muito a de Dustin Hoffman no classico Sob o Dominio do Medo. Alias, esse e um dos tantos filmes citados por Aja aqui, o outro mais lembrado e Inverno de Sangue em Veneza (numa citaçao reconhecida pelo Cristian, pois eu havia visto ali a Chapeuzinho Vermelho). Em resumo, um dos filmes do ano para quem curte cinema fantastico.
PS estou em Livramento gozando 15 dias de mais que merecidas ferias. Ao contrario das outras vezes que vim para ca o computador esta funcionando, o que significa que eu vou poder fazer atualizaçoes no blog de dois em dois dias, algo impensavel para mim sob circunstancias normais quando estou trabalhando em Porto Alegre. Meu problema por enquanto e descobrir aonde ficam os acentos nessa MERDA dessa laptop. Vou ver tambem se descubro por que nao estou conseguindo colocar fotos no meu blog, e se aprendo a linkar endereços para ca. Nao tem como ser tao dificil...
16.7.06

FINALMENTE 'Succubus', O filme que justifica a existência de Jesus Franco, vai estar disponível de novo. Foi lançado originalmente no mercado ocidental (em Região 1, NTSC, a preços 'normais') em um DVD sem extras, na primeira metade dos anos 90, que estava sumindo até mesmo das lojas que trabalham com DVDs usados. Tenho cópia em VHS desse DVD, com sintomáticos oito anos de idade. Agora, a Blue Underground, a 'Criterion do sexploitation', vai relançar o filme, com entrevistas com Franco e Jack Taylor (ator americano exilado na Espanha, que sempre aparece em filme rodados por lá, como 'Conan o Bárbaro' e 'O Último Portal', além de ter trabalhado com TODOS os diretores espanhóis que fizeram filmes de horror), além de uma cópia remasterizada. O que eu posso falar desse filme? Trata-se de uma obra-prima, O filme que eu sempre recomendo para quem quer entrar no mundo selvagem do cinema de Franco sacar qual é a do 'homem'. Quanto ao filme? É a própra descrição da 'lógica de sonho' que diferencia o cinema fantástico europeu do americano. Sonhos dentro de sonhos, ninguém consegue entender exatamente o que está acontecendo, mas o clima é tão legal que a gente vai ficando por ali mesmo. Segundo diz Tim Lucas em seu blog(http://www.videowatchdog.blogspot.com/), nas entrevistas Franco dá a entender que nem ele sabe explicar direito a história do filme (que parece aludir à lenda latina da Chorona - mais sobre isso daqui a pouco), ao mesmo tempo que reclama que os críticos desancaram seu filme por não entendê-lo...
Nesse mesmo pacote da Blue Underground, um programa duplo com os filmes da série 'Lábios Vermelhos' (Kiss me Monster - Besá-me Monstruo- e Undercover Angels - Sadisterotica-), com a linda Janine Reynaud fazendo dupla com Rosana Yanni como espiãs que escondem suas identidades secretas como strippers... filmes tolos porém divertidos, com ação típica do final dos anos 60. Dependendo como estiverem minhas finanças quando estes DVDs saírem, no final de agosto, pretendo comprar ambos para a minha coleção.
HORROR HECHO EN MEXICO


Falando na minha pobre coleção, recebi essa semana dois filmes mexicanos de horror que finalmente receberam o tratamento que mereciam. Eu só conhecia 'La Maldición de la Llorona', de Rafael Baledón, e 'El Espejo de la Bruja', de Chano Urueta, através das versões dubladas em inglês pela 'mestre' do cinema feito na Flórida, K. Gordon Murray, que deixava todo mundo falando como se fosse personagem de desenho animado, e faziam o favor de cortar cenas-chave do mesmo, deixando-os ainda mais toscos e incompreensíveis. Os filmes até não são perfeitos... mas são fascinantes, pois são ao mesmo tempo muito parecido com os filmes da Universal dos anos 30, e citam os então contemporâneos filmes de Roger Corman (sua série sobre Poe) e Mario Bava (em 'El Espejo... ' há uma cena de uma bruxa sendo morta na fogueira que parece ter sido tirada de 'A Máscara do Demônio'), misturado aos valores locais, ou seja, 'filtrados' por uma ótica machista impecável (o mal sempre vem das mulheres, elas são sempre bruxas, são as primeiras a serem possuídas pelo mal, e a vilã sempre é a madrasta) . Como sempre diz Pete Tombs, se aprende mais sobre os valores de um país vendo seus filmes de gênero, pois os filmes de arte seguem o padrão francês em todo o mundo... Boledón é sempre citado por Guillermo del Toro como seu cineasta 'local' favorito, enquanto Urreta era amigo de Sam Peckinpah, tendo aparecido como ator em 'Meu Ódio será sua Herança' (como um camponês) e 'Traga-me a cabeça de Alfredo Garcia' (como o pai da menina grávida... é ele que quebra o braço dela na primeira cena). Como eu já disse, sobrevive a fotografia expressionista, escura e pesada, e há muita criatividade, pois esses filmes mexicanos deixam as produções italianas parecendo superproduções. Nos próximos meses sairão pela mesma produtora os clássicos 'El Vampiro', de Abel Salazar (junto com 'El Ataud del Vampiro', sua continuação - ou será que a continuação é 'El Vampiro'? Nunca entendi, o importante é que sairão os dois), e... 'El Barón del Terror', do já referido Chano Urreta, conhecido entre os colecionadores como 'The Brainiac'. Esse final de ano promete...


11.7.06
Não o guitarrista, mas o diretor do melhor thriller policial feito esse ano. Eu não ia ver esse 'No Rastro da Bala', pois quando vi o nome de Wayne Kramer imaginei que fosse o guitarrista do MC5. Como eu me lembro que gênios da música como Bob Dylan e Neil Young deram com os burros n'água quando quiseram demonstrar suas habilidades como diretores de cinema, achei que estava vacinado contar esses crimes (o que se deu bem foi Rob Zombie, que é da segunda divisão). O nome de Paul Walker me assustou também (aquele que não tem preconceitos atire a primeira pedra), pois não acho a menor graça em 'Velozes e Furiosos', que revelou atores tão luminares como Vin Diesel e Michelle Rodriguez. Mas quando vi o entusiasmo do colega de Cine Monstro Leandro, el Carazón, achei que podia sair algo desse mato... mal tinha acabado de locar e me loga o Cristian, entusiasmado ( ‘tu já viu esse filme? É sensacional!!!’ ‘não, zumbi elétrico, não vi, mas está locado, não estraga o final...’), achei que estava na pista certa. Realmente. É um raro thriller ‘hard boiled’, ultra nervoso e cruel. E Walker está bem, algo que eu duvidava vendo ser currículo anterior. O roteiro, do diretor, é sensacional, muito inteligente, com uma das maiores coleções de gente maluca e desagradável a dar as caras no mesmo filme nos últimos tempos. Altamente recomendado.
SLITHERS
Estréia na direção do garoto prodígio Jamie Gunn (roteirista de projetos tão díspares quanto Tromeo e Julieta, Scooby Doo e o novo Madrugada dos Mortos), ‘Slither’ (‘Criaturas Rastejantes’) cumpre tudo o que prometeu: é um belíssimo filme de horror, tão bacana quanto descompromissado e inteligente. Algum chato pode reclamar que não há grandes novidades na história. Realmente, mas a sabedoria está em fazer uma escolha muito bem feita de elenco (com o sempre eficiente Michael Rooker e a gostosona Elizabeth Banks), dosar as influências (a maior delas é o clássico oitentista ‘A Noite dos Arrepios’, mas há muito do ‘horror venéreo’ de Cronenberg e do ‘horror do corpo’ de Carpenter, além de citações à obra de Peter Jackson e Sam Raimi) e saber quando se levar a sério e (mais importante) quando não fazer isso. Uma pena que passou escondido, em dois cinemas com sessões às oito e dez da noite.
PREMONIÇÃO 3
Terceira parte da série iniciada a partir de um roteiro não utilizado no ‘Arquivo X’... não tem o frescor do primeiro filme nem é o inacreditável banho de sangue que é o segundo. Está longe de ser ruim (as mortes são bem boladas e sanguinolentas, a protagonista é uma gracinha e há uma bela cena com nudez gratuita que quase vale o ingresso só ela), mas o diretor-roteirista tem a irritante tendência de ficar explicando tudo um pouco demais para o meu gosto... nota 6, passou de ano, mas não empolga. Que a série fique por aqui.
25.6.06
A pedido da Liga dos Blogues Cinematográficos elaborei um ranking de 20 grandes filmes dos anos 70 (mês passado teve um ranking dos anos 80, mas como eu estava atolado de trabalho não pude participar). Eu sempre me complico nessas listas, afinal quero incluir sempre um número muito maior de filmes/ músicas/ livros que ela comporta, mas desta vez me segurei e deixei só 20 mesmo. Para não me complicar coloquei só um filme por diretor, senão ia virar uma confusão, e provavelmente quando for dormir vou lembrar de uns 20 ou 30 filmes que esqueci na hora. Sem mais, vou colocar aqui os 20 filmes que eu escolhi, e um pequeno comentário sobre cada um deles.
Os Demônios (1973) – Ken Russel - Cinema como ele não é mais: provocativo, instigante, psicodélico. Melhor momento na carreira de todos os envolvidos. Uma pena que não pude colocar mais um de meus filmes favoritos, 'Tommy', por ter incluído este.
Cães Raivosos (1974) – Mario Bava - Obra prima tardia de Bava. Exercício de cinema claustrofóbico. Dos 85 minutos do filme, pelo menos 70 se passar em um carro em movimento. Ocupa um lugar que poderia ter sido de 'Lisa e o Diabo', a outra obra-prima setentista de Bava.
Performance (1970) – Donald Cammel e Nicholas Roeg - Um filme desses só podia ter sido feito nos anos 70. Labiríntico, erótico, agressivo. Ocupa um lugar que poderia ter sido do genial (mas não tão bom quanto esse) 'Inverno de Sangue em Veneza'.
Suspiria (1976) – Dario Argento - Obra prima do horror europeu. Nada mais precisa ser falado. De Argento eu também poderia ter colocado 'Profondo Rosso' ou 'Inferno'.
Sob o Domínio do Medo (1971) – Sam Peckinpah - Ultra tenso exercício em claustrofobia e como alguém vai se reprimindo até... De Peckinpah eu também poderia ter colocado 'Pat Garret & Billy the Kid' e 'Cruz de Ferro'.
A Montanha Sagrada (1973) – Alexandro Jodorowski - Um filme único, uma experiência mística, um festival de excessos. Lindo.
O Homem de Palha (1973) - Robin Hardy - O requiem do horror inglês. Um belo canto de cisne. Podia ser também 'Capitão Kronos' ou 'Frankenstein e o Monstro do Inferno', da Hammer, mas esse é mais representativo do estilo.
Manhattan (1979) – Woody Allen - Um dos primeiros cineastas que admirei, em um de seus melhores filmes.
Escravas do Desejo (1971) – Harry Khummel - Impressionante antifilme de vampiro, opus de lesbianismo. Um filme de horror feito por um diretor que odeia o gênero, e fica o tempo inteiro sabotando-o.
As Filhas do Fogo (1978) – Walter Hugo Khoury - Eu me concentrei mais em filmes 'estrangeiros', porém escolhi esse aqui para representar o cinema brasilis. Uma rara obra espírita que não cai nas pregações charopes. Um exercício de montagem. Uma obra prima que necessita urgentemente ser restaurada.
O Poderoso Chefão (1972) – Francis Ford Coppola - Obra-prima. Representa o que havia de bom no cinema mainstream dos anos 70. É tão bom quanto as continuações, mas só ele está aqui.
A Laranja Mecânica (1971) – Stanley Kubrick - Atrevido e perverso.
La Bete (1975) – Walerian Borowczic - Um conto de fadas perverso. Desse diretor eu podia ter colocado 'Contos Imorais' ou 'La Marge', que são tão bons quanto.
Ganja & Hess (1973) – Bill Gunn - No meio do ciclo do blaxpoitation, um diretor que também era poeta faz um dos filmes de vampiro mais enigmáticos e labirínticos da história do cinema. Precisa ser visto umas cinco vezes para começar a fazer sentido. Deixa David Lynch parecendo um exemplo de lógica coerente.
Zumbi – O Despertar dos Mortos (1978) – George Romero - Cinema de horror como crítica social.
Torso (1973) – Sergio Martino - O giallo em seu lado mais safado, com um diretor que sempre soube trabalhar no gênero.
Don’t torture a duckling (1972) – Lucio Fulci - Indicado para aqueles que dizem que Lucio Fulci é incapaz de contar uma história sem apelar para a sangreira gratuita.Filme sensível e sutil, sobre um assassino de crianças na Sicília rural.
A Casa com janelas que riem (1976) – Pupi Avati - Horror inteligente e classudo, de um diretor cujo único defeito é fazer poucos filmes do gênero.
Wampyres (1974) – Jose Ramon Larraz - Exploitation sem vergonha e pudor. Quem precisa de lógica?
Keoma (1976) – Enzo Castellari - Canto de cisne do spaghetti western, um filme místico e viajante.
19.6.06
Quando eu li o livro 'Mondo Macabro', de Pete Tombs, pensei que seria fácil encontrar os filmes argentinos ali descritos. Santa decepção, Batman!!! Somente hoje, meia década depois, consegui o primeiro deles, mesmo assim (mal) dublado em inglês. Mas a espera valeu, pois 'La Venganza del Sexo', lançado na Gringolândia como 'The Curious Dr. Humpp', é SENSACIONAL.
Resumindo uma história muito confusa, trata-se da investigação de uma série de desaparecimentos de jovens hippies, que está sendo feita por um cientista louco que está criando um exército de zumbis (!!!) sob o comando do cérebro de um carrasco nazista refugiado por lá (!!?!!).
O que fica muito bacana é a maneira que a história é contada. O primeiro diálogo é pronunciado a exatos 16 minutos. Até lá há uma bela duma infinidade de cenas de sexo, incluindo uma longa cena lésbica com uma hermana não depilada (frase dita por Cristian Verardi: olha a Floresta Amazônica ali!!). Fica difícil descobrir o quanto destas cenas são da versão original e quantas foram inseridas pelo distribuidor gringo (afinal a versão original é descrita como trendo 73 minutos, e a disponível aqui tem 92), mas fica clara a habilidade de Vieyra (descrito pelo IMDB como sendo ainda vivo, aos 83 anos, com um crédito de 2005). Eu estou procurando ainda os outros filmes de Vieyra, assim como PELO MENOS 'Obras Maestras del Horror'. Se alguém souver aonde eu posso achar fico grato...
Esse foi o 'Raros' desta sexta... o filme que é o último dos moicanos. Um dos últimos thrillers policiais com trilha rocker sem influência da MTV, um dos últimos filmes não pornográficos lançados em vários cinemas nos EUA com censura 'Unrated', um dos últimos grandes filmes feitos para as 'grindhouses' (cinemas de bairro especializados em filmes de ação) sem levar em conta o mercado de vídeo. O que torna essa produção ainda mais rara é que não é uma imitação de 'Desejo de Matar', e sim um tributo aos thrillers policiais italianos dos anos 70. Isso fica claro pela trilha (soando como se tivesse sido feita por Riz Ortolani), pela maneira como os gangsters se movem (uma execução de um policial lembra muito uma ação da Cosa Nostra, não de uma gangue novaiorquina) e até as atuações (Robert Foster lembra muito os personagens vividos por Franco Nero ou Maurizio Merli nas produções de Enzo Castellari e Sergio Sollima).
Na primeira vez que eu vi (ainda em Livramento, quando saiu em vídeo em algum momento dos anos 80) achei que o clima estava mais para um western que para um filme policial... impressão que acabou confirmada pela aparição surpresa de Woody Strode, que tantas vezes trabalhou com John Wayne. Só mesmo num western os bandidos são tão bandidos quanto aqui, e os 'heróis' podem agir como se fossem os xerifes da cidade, levando a lei na marra. Aliás, um pequeno adendo: em qual BOM thriller policial a gente ficou com pena dos bandidos, vendo-os como vítimas das mazelas da sociedade? 'Crash' e 'Traffic' não se encaixam nessa deascrição, né? Essa explicação pode funcionar na sociologia, filosoficamente, mas não num thriller de ação, cujo momento culminante (assim como num western 'clássico') deve ser quando o bandido tem seu corpo perfurado pelas balas do herói. Uma das coisas que o filme funciona tão bem é essa falta de vergonha, essa 'coragem' (nesses tempos politicamente corretos) de assumir uma atitude próxima da canalhice para fazer seu filme funcionar.
É legal notar também várias atitudes típicas do 'cinema de guerrilha'. Como a cidade de Nova York se recusou a deixar William Lustig rodar sua produção em suas ruas, ele rodou muitas cenas nas cidades vizinhas e algumas cenas na base do 'pega a câmera e sai filmando', o que deixa tudo num clima urgente. Muito bacana. Um filme a ser (re) descoberto.
PS: Nessa sexta, 'O Túmulo Vazio ' (Body Snatcher), de Robert Wise, com as sempre adoráveis presenças de Boris Karloff e Bela Lugosi, por sinal em sua última parceria. Antes da exibição eu posto algum comentário...
PS2: Esse magnífico Blogger não está me deixando carregar figuras. Alguém sabe o que devo fazer?
9.6.06
A NOVA PROFECIA
A refilmagem de ‘A Profecia’ despertava curiosidade desde que foi anunciada. Principalmente para aqueles da minha geração, que tiveram a sua infância assombrada pelas imagens do filme original.
A maior virtude do filme é também sua maior grande deficiência: fidelidade total com o original. Trata-se de uma refilmagem ao estilo ‘Psicose’, ou seja, mesmos diálogos do original, cenas iguais. Se tanto faz-se referências ao 11 de setembro e ao maremoto na Ásia como sendo sinais do apocalipse... não é uma desecração do filme original (como ‘A Casa Amaldiçoada’ é para ‘Desafio do Além’), vai funcionar com as pessoas que não viram o filme dos anos 70. É difícil saber se os susto funcionam para quem viu o filme sem ter visto o original, pois eu já sabia exatamente o que ia acontecer, sempre, logo isso estragou o elemento surpresa para mim.
Quanto ao elenco... por mais que hajam vários acertos entre os coadjuvantes (Mia Farrow, assustadora, e Giovanni Lombardo Radice, com sua cara de maluco, dos filmes de Michele Soavi), os dois protagonistas são de lascar. Liev Schrieber (deve ser assim que se escreve, estou com preguiça de pesquisar) é um zero à esquerda, ainda mais se o compararmos com Gregory Peck do filme original. Julia Stiles (infelizmente vestida o tempo todo) aceitou o papel que foi recusado por várias estrelinhas holliwoodianas, e é outro zero à esquerda. Essa é a Hollywood de hoje protagonistas que são um pouco mais que adolescentes, e não tem estofo para segurar um filme desses.
OS NOVOS EXORCISTAS
Graças ao milagre da internet consegui a versão ‘alternativa/original’ de ‘O Exorcista IV’, a dirigida por Paul Schrader. A história é conhecida: Paul Schrader dirigiu o filme, exibiu-o para o estúdio, e este não gostou e convocou Renny Harlin para fazer outro filme totalmente diferente. Claro que é melhor que a ‘canônica’, difícil não ser, mas muita coisa que estava errada lá já estava errada aqui. O roteiro, que se fixa no padre Merrin (não em Pazuzu, como na versão lançada) continua a ter mais buracos que um queijo suíço. Em resumo, é assistível, dá pra ir até o fim, mas está longe de ser grande coisa.
24.5.06
Eu já disse isso uma vez...
Muito trabalho e pouca diversão fazem de Thomaz um bobão...
Esse mês tá sendo complicado prá mim... estamos no 24, tive só 3 dias de folga, trabalhei feito um condenado e ainda falta um pouco para o mês acabar. O tornado vai mais ou menos até o final da semana que vem. Muito pouco tempo para mim. Só tive tempo de ver três filmes no cinema esse mês (e quase não fui na locadora, o que é um sintoma que estou sem tempo livre), vou comentá-los para manter o blog funcionando. Em junho retomo a semanalidade do blog, juro.
MISSÃO IMPOSSÍVEL III
Primeiro filme da cinessérie que lembra um episódio da série clássica (Mi lembrava muito um episódio da série até a missão dar errado, e Mi2, ninguém me tira da cabeça que aquilo era um roteiro recusado da série James Bond reaproveitado)... também lembra muito um episódio de ‘Alias’, que por sua vez soa muito como uma atualização da ‘Missão Impossível’ clássica, logo a cobra morde seu próprio rabo.
Se você perguntar, este é o pior filme dos três. Não é ruim, longe disso, é um bom filme de ação, mas não tem o ‘algo mais’ dado por Brian de Palma e John Woo nos davam antes. Por mais que JJ Abrahams saiba dirigir cenas de ação, ele parece incapaz de fazer qualquer coisa fora do convencional... eu via as cenas de ação sendo empilhadas e imaginava o que Woo ou de Palma fariam... algo está errado quando as melhores cenas são as pontas de um ator que está na melhor comédia de horror dos últimos anos... e quando se concede tempo de tela para aquela atriz cuja série despencou quando ela cortou os cabelos, mostrando aonde estava seu talento dramático. Aliás, dá a impressão de que o roteiro utilizado aqui se chamou ‘True Lies
CRIMEN FERPECTO
Uma das surpresa do mês, a estréia dessa comédia social de Alex de
CÓDIGO DA VINCI
Um pintor uma vez disse que o problema da arte é o público. O público ‘deixa passar’ obras primas e consagra mediocridades. Eis aqui mais uma confirmação disso. Êta filminho chato, sô. Mal escrito (por Akiva ‘Batman & Robin’ Goldsman), transformando tudo numa variação politicamente correta em torno do livro, sem querer agredir ninguém, dirigido burocraticamente por Ron Howard, elenco mal escalado, encabeçado por Tom ‘Forrest Gump’ Hanks nunca passa a autoridade que emana de Robert Langdom no livro, parecendo mais uma variação de Monk que um historiador, e Amelie ‘Forrest Gump francesa’ Poulin, que só consegue ser sem graça e chata. Também desmente a resenha que circulou que o livro de Dan Brown era um roteiro de filme pronto. Roteiro para uma minissérie de 6 horas eu ainda discuto, para um filme, de duas horas e meia (que demoram a passar), é coisa demais. Existe alguma coisa menos cinematográfica que diálogos de meia hora? Aliás, o filme lembra uma minissérie (ruim) mesmo, pois dá a impressão de ter sido feito às pressas, reforçado pela montagem sem imaginação nenhuma, arrastada. Nota três, e olha lá.
28.4.06
Taí um filme que eu queria ver havia alguns anos... Larry Cohen sempre foi talentoso, seja como diretor('Nasce um Monstro' e 'A Coisa' que o digam), seja como roteirista (o clássico 'Maniac Cop' e os novos 'Celular' e 'Por um Fio' não me deixam mentir). Faz roteiros claros e precisos, e filma sem grandes firulas, mas com uma bela noção de colocação da câmera, sabendo o que mostrar (e o que esconder, que é quase tão importante como). Como ia dizendo, nunca tinha achado 'Foi Deus quem mandou'... até agora, que o lançamento nacional ajudou. Puta filme, meu!!! Bem dirigido, bem bolado, conta uma história surpreendentemente 'pretensiosa' (mas sem tirar os pés do chão), encaixando-a em seu estilo 'cinema verité' de rodar (quase tudo com câmera na mão, rodado em locação na cidade de Nova York com alguns interiores rodados em Londres). Não gostaria de ser sem-graça e entregar alguns pontos do roteiro, mas o mesmo é inteligente e bem sacado, com excelentes pitadas de horror católico, algo que raramente funciona. Como curiosidade, conta com a presença do comediante Andy Kaufmann (num papel sério e marcante), aquele cuja vida foi retratada no (sensacional) filme 'Man on the Moon', que é o motivo que eu nunca mais falei mal de Jim Carrey. Em resumo, belíssimo serviço prestado pela distribuidora, a mesma que lançou 'Driller Killer' e 'O Pássaro com Plumas de Cristal', uma rara distribuidora independente que não pertence ao 'Clube do Capitão Gancho', como o Leandro Caraça chama a 'rede' da Continental Filmes.
Falando em horror católico... eis um filme sensacional nesse aspecto. 'Hardcore Poisoned Eyes' tinha tudo para ser mais uma das picaretagens rodadas em video digital que vem inundando o mercado de vídeo, mas alguns 'pequenos' detalhes impedem isso. Trata-se da secagésima pentelhésima variação em cima de 'A Noite dos Mortos Vivos', com o 'pequeno' detalhe que, ao invés de zumbis, um grupo de pessoas (nesse caso três garotas) são cercadas por um bando de satanistas. O que torna o filme interessante é o roteiro, muito bem sacado, que centra toda a história no dilema das meninas, entre permanecerem puras num mundo sujo ou 'juntarem-se à imundice' e provar que o mal existe. Há uma profunda ironia (e isso torna o filme assustador e sutil ao mesmo tempo), afinal as meninas não conseguem achar refúgio ou respostas em sua fé, enquanto os satanistas são movidos pela mesma ... tudo isso, como eu já disse, rodado em vídeo digital, em dez dias, nos arredores de Nova York, com elenco recrutado em escolas de teatro. Uma verdadeira aula de cinema de guerrilha. Infelizmente esse filme foi rodado em 2000 e desde lá seu diretor, Sal Ciavarello, não fez mais nada.
14.4.06
Muitos elogios (e críticas) estão sendo feitos ao segundo longa de Eli Roth... e quase todos eles estão deixando passar batidos algumas das melhores qualidades desse admirável thriller de horror. Nesse momento, muito se está discutindo a intensidade de algumas cenas de violência, os fãs de horror encantados, alguns críticos (um deles, em especial, deveria locar 'Branca de Neve' ou 'A Noviça Rebelde' se quer ver obras com mensagens edificantes) furiosos com o que descrevem como 'perversão moral' do diretor e do público (saudável mesmo deve ser um filme sobre crianças que perdem seu chinelinho e tem que achar ou vão apanhar do pai, ou de médicos à procura da cura do câncer e choram quando seus pacientes morrem)... estão deixando passar batido a habilidade do diretor. Não li nenhum comentário notando, por exemplo, que em todo seu primeiro ato parece que estamos vendo uma comédia no estilo 'American Pie', de adolescentes (bem, nem tão adolescentes assim) soltos na Europa desejando transar e fumar maconha, que são levados para a distante Bratislawa, na Eslováquia (valeu pela correção), para, digamos, ter uma overdose de sexo com as meninas locais, que seriam fanáticas por turistas. Nada de heroizinhos, nada de bastiões da moral falando sobre filosofia e religião comparada e lamentando a ausência da amada, são pessoas normais, vulgares, sem grandes qualidades redentoras (nessa crítica que eu estou mencionando, o cabra chega a reclamar que os 'heróis' são 'americanos comuns'. Isso não os torna mais 'normais' e não acaba funcionando a favor da história?). Quem já tinha visto os filmes do Rocco na Iuguslávia, Eslovênia e arredores pode ter uma idéia do material feminino à mostra por aqui. Há alguns anos eu não via um filme não pornográfico com tantos 'tits and asses'. A virada, quando tudo se transforma num sádico filme de horror, é a mais brusca que temos notícia desde 'Um Drink no Inferno', que eu uma cena se metamorfoseia de um drama sociológico de crime num filme de vampiros. Aliás, dava para dizer que aqui essa virada é ainda mais brusca e bem feita, por ser entre gêneros ainda mais díspares. Ponto para Roth.
Outro ponto a favor dele é a ambientação: está longe de ser o primeiro filme rodado atrás da (antiga) cortina de ferro, mas é um dos primeiros a fazer (bom) uso da 'cor local'. Bratislawa, que nas imagens do filme me lembrou as cidadezinhas do interior gaúcho e catarinense colonizadas por alemães e/ou italianos (tipo Gramado, Canela, Lajes ou Bento Gonçalves), tem uma aura sombria, opressora, muito bem captada. As próprias pessoas tem uma cara esquisita, você olha prá algumas figuras e já imagina que se trata de algum tipo de tarado ou coisa parecida... a história (que só pode ser considerada original por quem não conhece, por exemplo, 'Zaroff, o Caçador de Almas', do logínquo 1932) é muito bem contada, sem grandes concessões ao público incapaz de contar dois mais dois mentalmente (ou seja, não ficam recapitulando toda hora o que está acontecendo, para 'explicar' aos distraídos), tudo vai se desenrolando sem grandes atropelos. E as cenas de gore e tensão... são muito bem levadas. Aliás, pelos comentários que rolaram eu estava esperando mais sangue escorrendo, ponto para Roth se ele faz as pessoas acreditarem que tudo é mais sangrento do que é mesmo. E o diabo ainda cita um dos melhores filmes dos últimos anos, 'Suicide Club', e conta com uma (hilariante) ponta de Takeshi Miike como turista... em resumo, um filme atrevido, que cumpre com folgas o que promete (ser um belo filme de horror setentista). Não é uma obra-prima como 'Haute Tension', mas confirma Roth como uma realidade, não mais como uma promessa. Esperamos seus próximos filmes!!!
7.4.06
Há vários Roger Cormans para celebrarmos em seu 80º aniversário. Vamos relembrar:

Corman provou que era possível fazer filmes inteligentes com baixo orçamento. Quase todas as produções ligadas a Corman (principalmente nos tempos de AIP e New World Pictures) eram vivas e divertidas (compensavam alguns defeitos técnicos com tesão e vontade, como tem que ser), e eram feitos com orçamentos que mal pagavam o salário de um astro na concorrência. Várias práticas que depois se tornariam comuns (rodar dois ou três filmes seguidos com o mesmo elenco, nos mesmos cenários e locações) começaram a ser empregados por Corman. Outras práticas que já existiam foram transformadas em arte, como ‘reaproveitar’ cenas de filmes anteriores. O melhor exemplo disso é ‘Targets: Na mira da morte’, de Peter Bogdanovich, em que quase 20 minutos (dos 80 de projeção) são ´reutilizados’... em ‘Hollywood Boulevard’, de Joe Dante e Alan Arkush, há 30 minutos de cenas novas em 80 de projeção (o resto é ‘reaproveitado’ de produções anteriores da New World Pictures, que os dois diretores, que então trabalhavam no setor de trailers da produtora, conheciam bem). Suas produções de orçamento (próximo de) zero também eram suntuosas, comparando com produtoras conhecidas pelas mesmas práticas, como a Monogram e mesmo a RKO.

Corman foi um diretor sensacional. Seus filmes inspirados pela obra de Edgar Allan Poe são pioneiros no uso da psicologia das cores como elemento de horror. Estão também entre os primeiros filmes americanos coloridos de horror, produções suntuosas numa época em que o horror era um fenômeno de filmes de baixo orçamento nos EUA. No iníco dos anos 60, realiza o corajoso 'Intruder', sobre racismo, tocando em feridas pouco exploradas em sua época. No final dos anos 60, ele se alia à contracultura, em filmes como 'Os Anjos Selvagens' e 'Viagem ao Mundo da Alucinação'.

Poderia ficar nos óbvios... Nicholson, Scorcese, Coppola, Demme, Bogdanovich (na foto com Boris Karloff no set de 'Targets - Na Mira da Morte'), Monte Hellman, Robert Towne, Joe Dante, Alan Arkush, Jack Hill... ele também 'importou' profissionais tarimbados como o cubano Nestor Almendros e o sueco Vilmos Zsigmond (dois diretores de fotografia que seriam oscarizados, em trabalhos que conseguiram após serem revelados por Corman ao mercado americano), e soube reconhecer talentos (como James Cameron, que entrou em 'Galáxia do Terror' como carpinteiro e saiu como diretor de segunda unidade e desenhista de produção).

Corman foi responsável pelo lançamento internacional de filmes importantes, como 'Morangos Silvestres', de Igmar Bergman, e 'Dersu Uzala', de Akira Kurosawa, lançados nos EUA (e no resto do mundo, por consequência) fora do gueto dos 'filmes de arte' , expostos a espectadores que nunca ouviriam falar deles.
Por esse e tantos outros motivos (as centenas - literalmente - de filmes que só saíram do papel por terem cruzado o seu caminho, seu discreto e competente trabalho como ator nos filmes de seus pupilos, tipo 'O Poderoso Chefão 2' e 'O Silêncio dos Inocentes', sua sempre sábia colaboração com roteiristas tarimbados, como Richard Matheson e Robert Towne), os 80 anos de Roger Corman devem ser comemorados por todos entre nós que curtimos cinema.
5.4.06

Olhando o blog de Tim Lucas, editor da revista Video Watchdog, descubro que hoje é o dia do 80º aniversário de Roger Corman... como não tenho tempo de criar um texto decente em sua homenagem (não hoje, talvez no final de semana), reproduzo a homenagem de meu colega, dando o autor e dizendo de onde tirei a mesma (http://www.videowatchdog.blogspot.com/). De noite pretendo traduzir esse poema/letra de música...
ROGER CORMAN SWINGS (at 80)
Lyrics by Tim Lucas(with apologies to Roger Miller)
Roger Corman swings like a pendulum do,
Vincent Price, Bruce Dern -- Shatner too!
Mobsters in Chicago, Richtofen and Brown,
Stock footage of a warehouse burning down.
Now, if you huff and puff and you finally shoot enough
You can make a whole movie in just two days, believe you me.
But here's a tip: before you take a trip, go up to Big Sur,
It's so pretty thur, oh...
Roger Corman swings like a pendulum do,
Dick Miller, Susan Cabot -- Dinocroc too!
See the Wild Angels go to Rock and Roll High,
Ray Milland rippin' out his X-ray eyes.
Now get your cameras ready, everybody go dutch,
Hang onto your wallet, we don't letting you spend too much
Add a social message, some boob shots, mind expenses
And no novocaine -- because it dulls the senses.
(OWWWWWW! Don't stop NOW!!!!!)
Roger Corman swings like a pendulum do,
They buried Babs alive and it's True! True! True!
Charles Dexter Ward and a sub-machine gun,
The rosy red cheeks of Angie Dickinson.
FELIZ ANIVERSÁRIO, ROGER!
30.3.06

Amanhã o 'Raros' vai nos dar a rara oportunidade de ver Buster Keaton em tela grande... vai passar 'Marinheiro por descuido', conhecido originalmente como Steamboat Bill Jr, um dos melhores filmes deste mestre da comédia muda... completando o programa duplo, 'Film', de Samuel Beckett. Meu segundo filme de Keaton no cinema (o primeiro foi 'O Homem das Novidades'), que emoção...

Uma semana com gente talentosa embarcando para o andar de cima... Dan Curtis, o homem que leu um conto que ninguém quis publicar de Jeff Rice e transformou seu personagem principal, Karl Kolchak, num dos mais notáveis do gênero, e ainda criou uma das melhores adaptações de 'Dracula' para a tela grande, com Jack Palance (saiu em DVD pela London, comprei o meu por R$ 10,00, vão atrás que vocês acham!!!), juntou-se ao próprio Kolchak (Darren McGavin), que acabou de fazer sua travessia também... Eloy de la Iglesia, cinesta cult espanhol, responsável pelo notável 'Cannibal Man' (cujo título espanhol original, 'La Semana del Asesino', faz mais justiça ao filme) e o sensacional 'Clockwork Terror' (em espanhol, 'Una gota de sangre para morir amando'), variação/sátira de 'Laranja Mecânica com a lindíssima Sue Lyon (a Lolita de Kubrick) abrilhantando a tela, passou para o outro lado na mesa de operação, aos 62 anos... e um de meus heróis, Stanislaw Lem, autor de um dos mais impressionantes livros de ficção científica já feitos, 'Solaris', filmado duas vezes (uma brilhantemente, a outra desnecessariamente, adivinhem qual é qual entre a versão de Tarkovski e a de Sondenbergh...)... que posso dizer? Descansem em paz, vocês me deram horas agradabilíssimas, tornaram minha vida melhor.

Que essa nostalgia anime as editoras a fazer uma tradução decente de 'Solaris' em português... tudo que existe são traduções da versão em francês, ninguém traduziu o livro direto do polonês (lingua que o livro foi escrito)... tive que lê-lo em espanhol (uma edição argentina) para descobrir que não era o livro que era travado, cheio de palavras complicadas e frases inintelegíveis, era a tradução que tornava o livro assim.

Que coisa linda é o DVD de 'A Mosca'... duplo, com comentário e simpáticas 3 horas de documentários. Um dos filmes da minha adolescência, em uma edição que dificilmente será melhorada. Ainda por cima saiu nacional, pude comprar a R$ 35,00, tem legenda em todos os extras... coisa boa.
Bom, isso é tudo, para uma semana que só trabalhei. Reclamar que se está trabalhando demais sempre é melhor que reclamar que se está parado, mas que cansa, isso cansa... o bom é que amanhã é sexta-feira, último dia de trabalho da semana... sono, filmes, livros, descanso (e o time com risco de fazer fiasco contra o maior rival, só prá incomodar). Coisa boa. Nos vemos.
26.3.06

Uma das coisas boas do 'estouro' de 'O Chamado' é que possibilitou o lançamento de várias produções do Oriente que, de outra forma, provavelmente não seriam vistas por nós... afinal, o 'boom' do cinema oriental de horror não começou com a versão oriental de 'O Chamado', e sim com os filmes de Kiyoshi Kurosawa, no início dos anos 90... e o bom é que estamos vendo filmes bem direrentes uns dos outros, não trinta variações com telefonemas, poços e meninas chamadas Sadako.
'Espíritos' é uma produção tailandesa... eu 'conhecia' a Tailândia de outros filmes orientais, como o sensacional 'A Herança' e o mais underground 'The Eternal Evil of Asia', como uma espécie de Transilvânia da Ásia, terra de superstições, bruxarias e macumbas. Aqui, a 'visão local' desmente essa teoria. Comprova também uma tese de Pete Tombs, que se conhece mais uma região pelos filmes de gênero feitos por lá do que pelos artísticos, que tendem a seguir o padrão nouvellevaguiano.
Trata-se de mais uma história de fantasmas (obcessão da cultura budista local)... para ser mais específico, de um encosto (não vou entregar nada da história do filme, mas eu fico com medo de algum pastor da Igreja Universal ver o filme e dizer que resolvia a história com uma sessão de descarrego). Resumindo (até demais), o fantasma de uma mulher começa a aparecer em algumas fotos tiradas por um fotógrafo profissional, e ele resolve investigar, com a ajuda da namorada, quem é essa mulher que está tão interessada se mostrar para ele, o que ela pode ter aprontado que tanto a marcou. Digamos que as descobertas não são nada generosas com ele...
Não se trata de uma produção perfeita... achei o terceiro ato um pouco estabanado, com informações demais. Também achei (assim como o Aguilar) que há um pouco de ênfase demais nas relação dos dois personagens principais... mas, vejam só, que raridade reclamar que um filme tem roteiro demais hoje em dia, o normal tem sido reclamar de filmes com roteiro de menos. Isso não diminui o impacto de 'Os Espíritos': poucos filmes nos últimos tempos deixaram tantas imagens e cenas grudadas em minha cabeça. Há momentos simplesmente tétricos. As pessoas que estavam no cinema comigo parecem concordar:há muito tempo eu não via tantos gritos e reações nervosas das meninas da platéia. Todo mundo começou dando risada, achando engraçada a língua (que soa, para meus ouvidos pouco educados ao tailandês, como se fosse um tátátátátá incessante), com os nomes (um rapaz na minha frente, levado à força pela namorada, se deliciou com o nome de dois personagens do filme, Tum e Tom) e com o tom de voz anasalado da protagonista (que soa esquisito mesmo). Foi só a fantasma começar a aparecer, e as fotos (reais) de fantasmas serem mostradas, que o gritedo começou. Uma cena em especial foi impressionante: envolve um estúdio fotográfico, luzes apagadas e um flash. Eu contei umas seis meninas, em pontos diferentes do cinema, berrando. Mesmo os marmanjos ficaram super nervosos. Posso me enganar, mas não via essa reação de platéia há um bom tempo.
Há alguns anos, as produções de mercados secundários se caracterizavam por um nível técnico abaixo da crítica. Isso não ocorre mais. Toda a parte técnica de 'Espíritos' é louvável, em especial a fotografia. Tudo foi captado em filme asa 400, aquele que tem sido usado por Steven Spielberg (e o 'garoto propaganda' desse tipo de película, Janusz Kaminski) desde 'O Resgate do Soldado Ryan'. Esse tipo de película é mais realista, mas tem pouco contraste (ao contrário da película 'normal'), deixando a imagem granulada. Isso é utilizado de forma exemplar pelo cinematografista. Os pretos, além de escuros, parecem se desmanchar. Toda a textura do filme é assim. De acordo com a nem sempre confiável IMDB, trata-se de uma estréia dos dois diretores creditados. Se for isso mesmo, é impressionante o que eles conseguiram. Trata-de de uma obra segura, com ótima direção de atores, um clima realista (que nem sempre funciona em obras do gênero) e um bicho-papão dos mais assustadores dos últimos anos. Mesmo com as ressalvas que fiz, é uma obra ultra recomendável. Vamos ver se as revisões (que vão ocorrer, sem dúvida) vão ser generosas com essa obra...
22.3.06

A Luciane me surpreendeu um dia desses, me dizendo que tinha gostado mais de 'Um crime perfeito' que de 'Disque M para Matar'. Como esse mau gosto não combina com ela (é algo como preferir uísque paraguaio ao escocês), loquei o filme de novo para ela reconsiderar... na primeira cena já descobrimos que ela havia visto apenas a refilmagem, com Angie Dickinson e Christopher Plummer. Ah bom.
O prazer de rever um filme desses é perceber como Hitch consegue demonstrar sua classe, mesmo num filme minimalista, sem espaço para malabarismos de câmera. Há, logo no início, um belo uso de psicologia das cores. Grace Kelly de branco, beijando o marido, e de vermelho, com o amante... nada mal. Belo filme. Teatro filmado só fica legal quando extremamente bem feito, o que é o caso aqui.
ANJOS DA NOITE 2
Eu não ia ver esse filme, pois não curti o primeiro... daí o Cristian elogiou tanto que eu fui. Sabe que é legal? Vai direto prá ação, sem grandes frescuras (como no primeiro filme, que perde horas em discussões políticas/errepegísticas sobre convivência entre vampiros e lobisomens), tem bastante sangreira e, ta na na nam, Kathy Beckinsale tira aquela roupa preta apertada que lhe cai tão bem. Foram duas horas que eu não pensei que estou trabalhando demais, que meu Grêmio está mal... longe de ser uma obra-prima, mas que é um belo filme de ação, isso é. E cita um filme que eu adoro, vamos ver se algum dos meus cinco leitores reconhece... o pau comendo dentro de um cinema e cai um helicóptero... lembra alguma coisa?
Amanhã escrevo alguma coisa mais profunda, hoje estou na corrida...
15.3.06
É a segunda sessão de horror no ano no Raros, mas a primeira depois da 'retomada' (a arrumação do ar condicionado), logo é como se fosse a estréia do ano.
Nesta sexta-feira, dia 17 de março, exibiremos o filme 'Eu andei com um zumbi', de Jacques Torneur, um dos nove produzidos por Val Lewton para a RKO nos anos 40. Os filmes de Lewton destacam-se, dentro do 'nosso' gênero, por características nem sempre associadas ao mesmo: inteligência, leveza, comedimento. Muito bem escritos, extremamente bem atuados, são modelos para todos que tentaram fazer horror psicológico depois deles, assim como para quem quis fazer cinema de gênero com pouco (ou nenhum) dinheiro e ainda se safar com isso. O filme passará com legendas em espanhol, com direito a um debate comigo no final. Um programa melhor que ficar em casa vendo novela (ou Big Brother), sem dúvida... 9 da noite, na sala PF Gastal da Usina do Gasômetro. Todos que estiverem na área estão convidados.
10.3.06

Recentemente, numa troca de DVDs com um amigo gringo, recebo no meio do que eu havia combinado o DVD do filme Jack-O, de um certo Steven Latshaw, que eu nunca havia ouvido falar... pergunto para meu amigo se aquilo é presente, ou se eu havia feito algum rolo a mais e tinha esquecido... sim, era presente. Com uma recomendação: veja o filme com o comentário...
Como eu andava meio sem tempo, fui deixando passar... e agora em minha semana de férias fui dar uma olhada. Em minhas pesquisas, o filme só era notório por usar cenas com John Carradine e Cameron Mitchell que estavam no arquivo de seu produtor executivo, Fred Olen Ray, para alguma eventualidade... o cabra nunca mais tinha feito nada (que aparecesse)... vamos ver.
Realmente, o comentário vale o filme. É o mais doido que eu ouvi em ANOS. Eu já havia ouvido comentários confrontativos (como o de Steven Sondebergh com o roteirista de 'O Estranho - The Limey', que o cara fica o tempo inteiro reclamando de cenas que foram cortadas e substituídas por videoclipes, ou em 'A Soma de Todos os Medos', em que o autor do livro fica detonando as inúmeras mudanças que o diretor fez em seu livro), mas nada parecido com isso aqui. Os debatedores são os já citados Fred Olen Ray, produtor executivo (e dono da empresa responsável pelo lançamento, Retromedia Entertainment), e o diretor, Steven Latshaw. Tudo começa relativamente calmo, todos são amiguinhos, mas desde o início Fred fica cutucando o cabra, rindo dos (inúmeros) defeitos de Jack-O (como ele faz em seus próprios filmes). Com o tempo, mr. Latshaw vai se irritando, e começa a devolver os cutucões que recebe, se defendendo cada vez que um erro de continuidade é exposto, quando um ator faz uma canastrice. E vai ficando cada vez mais mal-humorado, reclamando do suposto detalhismo de Olen Ray (evoca até a 'suspensão da descrença', tão defendida por Ed Wood). Até que, mais ou menos a uma hora de projeção, ele literalmente explode. Olen Ray comenta que um adolescente que recentemente viu o filme com ele chamou o mesmo de 'um saco de merda' (em inglês o termo usado é 'shit pickle'), e Latshaw perde de vez a paciência e a compostura. FUCK YOU, YOU ASSHOLE!!!!! Um chinga abertamente o outro!!!Sons de socos!!! O cabra é arrancado do estúdio pela turma do 'deixa disso' e fica tentando entrar na marra, dando chutes e discutindo com o segurança, até o fim da sessão!!! Em resumo, o troço vira um belo dum barraco, teoricamente encerrando uma amizade de 20 anos. Nada mal para uma terça-feira de manhã, que eu estava vendo o filme com dois cachorros, na sala da casa dos meus pais.
Pesquisando e perguntando, eu descubro que na verdade essa briga foi combinada, e que os dois se amam mutuamente. Ia ser demais mesmo o cara fazer uma bomba dessas e achar que era uma reencarnação do Orson Welles, que seu 'rebento' devia ser levado a sério como, digamos, 'Cidadão Kane'. Ia evidenciar uma imensa falta de simancol. Uma pena. Mas que eu me diverti ouvindo isso inocentemente, sem saber da combinação, isso eu me diverti;-)))









